Uma câmera na mão e Deus na cabeça
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quinta-feira, 08 de abril de 2010
Bruno Maffi<br> Reportagem Local 
Bruno Maffi
Reportagem Local
Há pouco tempo, o padre Romão Martins, da paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, Jardim Dom Bosco, surpreendeu seus paroquianos quando se matriculou em uma especialização em Cinema e Documentário. Houve até um burburinho entre seus colegas sacerdotes. Afinal, qual o interesse de um padre em estudar cinema?
Na Quaresma, padre Romão deu a resposta, com a estreia da novela Jogo da Vida, produzida, dirigida e editada por ele. A trama conta a história de uma família que comete inúmeros deslizes e que não se entende, vivendo cada um para si. O apelo era que as famílias identificassem suas características na ficção para buscar uma conversão de valores.
A imagem é uma comunicação que supera as palavras. Quando as pessoas visualizam uma situação, quando entendem que aquilo acontece com elas, começam a refletir sobre suas vidas, acredita Romão Martins, que foi o primeiro londrinense a se tornar padre diocesano em Londrina, há 11 anos.
Cada capítulo da novela teve em média três minutos, um tempo curto, mas com a demanda de um dia todo para a filmagem e em média cinco horas para a edição. Um cinegrafista profissional foi contratado para a filmagem e um grupo de amigos do padre interpretou os personagens da história.
Os seis episódios de Jogo da Vida foram amplamente comentados na comunidade e ganharam exibição no YouTube, com mais de três mil acessos cada um até a data da reportagem. Houve até uma senhora do Ceará que ligou na paróquia e pediu autorização para exibir em sua comunidade, conta o padre.
As produções do sacerdote não param por aí. No segundo semestre, o padre viaja com um alguns paroquianos para União do Norte, no Mato Grosso, e pretende registrar o trabalho de evangelização. Sua proposta é produzir um documentário para apresentar a realidade da igreja daquela localidade aos seus paroquianos em Londrina.
Também penso em produzir vídeos sobre os sacramentos, para a catequese e para as famílias. Sempre gostei de trabalhar com fotos, com imagem. O que falta é tempo para poder produzir mais materiais, explica.
Clima de cinema
Os fieis da paróquia Nossa Senhora Auxiliadora tem apreciado as diferentes formas de motivar a fé que o padre Romão tem adotado. Na Sexta-Feira Santa ele editou cenas do filme Paixão de Cristo, de Mel Gibson, que foram narradas por um locutor de rádio, ao invés de realizar a tradicional leitura do evangelho, que dura, segundo o padre, quase 15 minutos e deixa o povo disperso. O momento foi concluído com música O Homem, de Roberto Carlos.
Na vigília da Páscoa, a celebração com o padre Romão teve a participação de mais de mil pessoas. A celebração foi iniciada às escuras, com cenas editadas do filme O Náufrago, quando o ator Tom Hanks produz o fogo através de gravetos. A mesma festa que o personagem faz ao descobrir que podia produzir o fogo, deve ser feita pelo cristão que descobre que dentro de si está o amor de Deus, sugere o sacerdote.
Para o estudante de jornalismo, Alexandre Ribeiro, as missas com o padre Romão nunca são iguais. Ele é animado, quer sempre ilustrar a mensagem para que todos possam entender. Quando o avô do padre faleceu, ele fez um documentário contando sua vida, o que me marcou muito. Essa especialização que ele está fazendo tem servido para que, através das técnicas de edição de vídeo, possa mostrar os valores da fé, afirma o universitário.
Para o administrador de empresas, Paulo Sanches, o uso das mídias da missa tem acrescentado muito ao processo de evangelização. O padre é um ótimo comunicador. Estamos no século 21, e a Igreja tem de evoluir em sua forma de se comunicar com as pessoas, observa.
Cultos que são shows
Música de qualidade: pop, jazz, soul ou MPB. Iluminação de espetáculos. Efeitos de fumaça e cenários de filmes. Essas são algumas das atrações que se encontra em um culto na Capela da Graça, na Avenida Bandeirantes com Duque de Caxias.
O pastor Paulo Wesley, há três anos na função, explica qual o objetivo de tanta produção. A mensagem do evangelho é a mesma, mas a forma é nova, a que se vê nas mídias modernas. Queremos fazer o melhor para Deus e para as pessoas se aproximarem dele.
Os cultos nos finais de semana na Capela da Graça são preparados em séries e cada uma delas tem uma linha de pensamento que emprega fé e psicologia. A última série da igreja foi trabalhada seguindo a ideia do filme Monstro S/A, longa infantil que lembrava a fábula dos monstros que moram no armário.
Quais os monstros que moram em nós, que são muitas vezes domesticados, porque conseguimos dominar com autocontrole, mas que nos deslizes surgem para estragar tudo à nossa volta? São esses monstros que queremos expulsar de nossas vidas, explica o pastor.
Paulo Wesley é músico há 30 anos. Sua esposa, a cantora Ellen Franco, conduz os cultos que podem ser iniciados até mesmo com músicas internacionais, como Thriller, sucesso de Michael Jackson. (B.M.).


