Uma câmera antenada com a juventude
Uma câmera antenada com a juventude
A fotografia instantânea ganha força com lançamento de Polaroid colorida e com design moderno
Zeca Corrêa Leite
Divulgação
As Spice Girls são as garotas-propaganda da Polaroid no mercado internacional: câmera para os mais jovensA Polaroid mudou de cara. Perdeu o ar vetusto que a acompanhou na maior parte dos seus 50 anos - os últimos 25 vividos também no Brasil - ganhou cores e linhas arredondadas, bem de acordo com o gosto atual. No final do mês Regina Casé aparecerá em dois novos comerciais contando maravilhas da máquina fotográfica que revela instantaneamente. Pois é, os tempos são outros. A Polaroid agora mergulha de cabeça no mundo jovem.
A informação é do presidente da empresa, Carlos Alberto Júlio, que prestigiou em Curitiba o lançamento da Câmera 600, que traz as novidades das cores e formas, substituindo os produtos tradicionais da fábrica.
Segundo ele o gosto pela fotografia ampliou-se até a garotada situada na faixa dos 12 aos 17 anos. Essa geração é diferente das demais porque demonstra claramente sua predileção pela imagem, seja posando ou apertando o botão, sem ter o pudor característico dos mais velhos. Também é cada vez maior o número de adolescentes presenteados com uma máquina dessas.
É para esse segmento do consumidor que a Polaroid está reservando seu poder de fogo. Ainda este mês estrearão dois novos comerciais estrelados por Regina Casé. Para outubro está marcada a vinda das Spice Girls (as garotas- propaganda da marca no mercado internacional). A verba destinada ao marketing este ano é de US$ 3,5 milhões, mais que o dobro de 1997. Há uma estratégia de rejuvenescimento da fotografia instantânea, concorda Júlio.
O interesse do jovem pela fotografia é uma febre mundial. Há um ano e meio foi lançada no Japão uma câmera batizada de Tommy, nome de um herói de revista em quadrinhos. Público alvo: crianças na faixa dos 10 anos. O sucesso é tanto que a empresa ainda não conseguiu levar a novidade para os Estados Unidos. Só no ano passado foram consumidos 3 milhões de filmes utilizados na Tommy.
O Brasil não é um País afeito à fotografia como os Estados Unidos ou mesmo o México. Aqui a média é de meio rolo de filme por habitante. No México é três vezes mais. Ainda assim o que se vê é uma paixão se alastrando entre as crianças e adolescentes. Esse fenômeno, segundo Júlio, começou no início da década. Não tem mais que cinco anos.
Chegará o dia em que Tommy, com um nome nacional, estará sendo vendido nas seções de brinquedos das lojas de departamentos, como ocorreu no Japão. Enquanto esse dia não chega a subsidiária brasileira planeja fechar o ano com a venda de 40 mil câmeras do modelo 600. O preço não deve ultrapassar os R$ 100,00.
Em 1997 a Polaroid vendeu quase 100 mil unidades. A novidade foi a Spice Cam, que caiu no gosto dos jovens entre 14 e 24 anos. Somente no verão saíram 3 mil câmeras, o que é uma prova evidente do mercado promissor para a foto instantânea.
Novidade: a fotografia de estúdio volta com toda força nos Estados Unidos, e deverá ocupar lugar de destaque no Brasil. Ainda é incipiente entre nós o costume que foi muito comum em décadas passadas, quando a família inteira se reunia para o clic do fotógrafo.
Estamos na era da recessão e do desemprego. Adaptando-se a essa realidade a empresa criou um programa específico voltado para o fotógrafo de rua. Ela oferece um kit básico para o profissional que vai se especializar em trabalhar em eventos como feiras agropecuárias, pontos turísticos, restaurantes. Calcula-se que existam mais de 2 mil fotógrafos de rua no Brasil. Enfim, é uma maneira de dar rasteira na crise e faturar. É a microempresa mais barata do mundo, anuncia Carlos Alberto Júlio.





