Um cartaz em uma árvore indica o caminho da recompensa. Trata-se de uma caça ao tesouro proposta pelo artista plástico londrinense Chico Santos. Feito brincadeira, Santos explica que sua ideia é levar as pessoas a circular mais pelas áreas verdes da cidade e a valorizá-las, bem como conhecer os espaços que apresentam trabalhos artísticos, como é o caso do Sesi. Daí o fato de a escultura de resina feita por ele, o grande tesouro da proposta, ter que ser retirada lá, no Sesi, onde o caçador terá também a oportunidade de ver toda a exposição de Santos.

A pequena escultura em forma de casa, é o tema central de sua intervenção artística. "Trata-se de uma reflexão sobre a especulação imobiliária, o crescimento desordenado das cidades e o avanço sobre o campo", explica. Na exposição aberta ao público, é possível ver uma tela que representa Londrina. Casas, prédios e edificações diversas suspensas por um fio de lã. Os poucos emaranhados de fios, sobre o fundo de terracota, representam a terra vermelha e pouco que ficou de vegetação.

Chico Santos com a escultura que premia quem participa da 'caça ao tesouro'
Chico Santos com a escultura que premia quem participa da 'caça ao tesouro' | Foto: Walkiria Vieira

Entre tantas obras concretizadas pelo homem na cidade, lá está representada a Catedral Metropolitana de Londrina, Sagrado Coração de Jesus, vizinha ao Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon, um dos pontos onde o artista já deixou o mapa, numa de suas de interações com o público. "O meu trabalho sempre esteve ligado à ecologia, à natureza, levamos as pessoas a frequentar as praças, vales, bosques e outras áreas verdes como parques e jardins públicos. É uma forma que encontrei de unir a arte à reflexão ao crescimento desordenado e sugerir esse olhar para os tantos locais abertos que podemos frequentar", diz. Lá estão também telas de Pato Branco e Curitiba, próximos pontos de exposição do artista.

As ferramentas digitais têm sido o principal recurso de trabalho e divulgação de Santos. Ele leva o cartaz à área verde, publica em seu Instagram (chico_santos_) e promove a caçada. "Há algumas empresas pedindo para eu repetir o mapa em um ponto, de tão grande que foi o interesse dos colaboradores, na zona oeste, por exemplo, onde só um sortudo ganhou." Mas há outros lugares e as pessoas devem ficar atentas à brincadeira. A Mata dos Godoy, o Parque Arthur Thomas e os Lagos II e III estão na lista de Santos.

Formado em Artes Visuais e pós-graduado em Mídia Interativa, o artista plástico fez carreira como editor de TV, vivia em ilhas digitais, salas escuras e cheias de equipamentos. Em 2009, decidiu mudar a rotina, mudou-se para um sítio e passou a fazer mais suas experiências artísticas. "Já era uma atividade secundária".

O ano sabático foi um divisor. Perturbador e libertador, trouxe um novo olhar para a sociedade e para si. Sua biografia traz referências almejadas pelo meio artístico, como a participação na Biennale de Arts Actuels, em Reunion; Duwamis Revealed; Etic Lisboa. Além de prêmios como o Screeengrab, na Austrália, o Nacional de Ilustração Literária e exposições nos espaços do Sesc em São Paulo e Sesi, no Paraná.

O 'mapa do tesouro' está  colado nas árvores da cidade, estimulando as pessoas a participarem da brincadeira: quem encontrá-lo ganha a escultura
O 'mapa do tesouro' está colado nas árvores da cidade, estimulando as pessoas a participarem da brincadeira: quem encontrá-lo ganha a escultura | Foto: Walkiria Vieira - Grupo Folha

Serviço:

Estudos para uma cidade invisível - Chico Santos

Onde: Centro Cultural Sesi - Rua Maestro Egídio Camargo do Amaral, 130

Até 28 de setembro, de segunda a sexta, das 13 às 20 horas.

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