A primavera em Nova York transpira renascença, renovação, com muito orgulho e patriotismo. Nas barraquinhas turísticas na entrada do Central Park, altura da Rua 59, estão à venda as novas imagens do skyline de Manhattan.
Sem as torres, com os faixos de luz que homenagearam até pouco tempo atrás o World Trade Center. Dizem os nova-iorquinos que a cidade agora parece uma boca sorridente com uma cárie. Aparecem, ainda, fotos dos bombeiros que trabalharam na busca por sobreviventes, e do Empire State Building, hoje o prédio mais alto da ilha.
Há algo de novo no céu da cidade. Bandeiras ianques formam um corredor no topo das construções das principais avenidas. Caminhando pelas ruas, adornadas de tulipas, turistas continuam a se render à febre do consumismo.
Lojas lotadas, muitos tapumes. Na Rua 57, por exemplo, abrirão em breve unidades das marcas Louis Vuitton e Burberry – isso só para citar algumas obras. ‘‘Fico impressionada com o poder de reconstrução das pessoas. Físico e psicológico’’, diz a produtora cultural brasileira Daniela Bianchi, que voltou pela segunda vez à cidade depois dos atentados. ‘‘Desta vez a impressão é de que aconteceu anos atrás. Ninguém anda mais com aquela sensação de insegurança.’’
A ‘‘cidade que nunca dorme’’ parece estar dormindo tranquila. No Central é que a paz realmente toma forma. Com a primavera, o parque de 340 hectares se enche de vida e de cores. Tulipas vermelhas, brancas e amarelas, lírios e cerejeiras carregadas de flores compõem um cenário que faz lembrar os quadros de Monet. Passa uma charrete com turistas, uma família de bicicleta, três muçulmanas a pé, um grupo de executivos procurando relaxar sobre a grama.
A temperatura agradável da estação dá o aval para abandonar o luto, sair de casa e curtir o que a Big Apple tem de melhor. Exposições, quase 2 mil restaurantes, moda, noite agitada e espetáculos. ‘‘As coisas estão voltando a ganhar vida por aqui. Nós agora vemos a cidade do jeito que ela realmente 钒, diz Andy Ferguson, o americano de Connecticut que diariamente viaja a Manhattan para trabalhar na promoção de uma comédia em cartaz na região da Broadway.
Há, porém, quem ainda tenha a ‘‘paranóia 11 de setembro’’. ‘‘Todo dia olho para o Empire State só para checar. Ver se continua lᒒ, diz o brasileiro Luís Pinheiro, estudante de cinema na New York University e garçom no restaurante Nello’s, na Madison Avenue.
No coração de Manhattan, o Empire State, com seus 433 metros e 102 andares, é hoje a estrela maior de Nova York. Um marco histórico desde 1931. Sua iluminação colorida muda de acordo com datas e eventos especiais: vermelho e verde no Natal, por exemplo.
Na década de 70, perdeu o título de arranha-céu mais alto da cidade (e do mundo) para o WTC. E agora volta a brilhar. Medo de subir?
Diariamente, passam por lá em torno de 12 mil visitantes. Todos querem ir ao Observatório, no 86º andar, e admirar a vista panorâmica da ilha. No lobby em estilo art déco, segurança garantida. Como num aeroporto, o turista tem seus pertences inspecionados por raio-X. Uma dica: o arranha-céu fica aberto para visitação até meia-noite.
Lá de cima, as luzes emocionam. Fica fácil identificar os ‘‘monumentos’’ nova-iorquinos. Os prédios MetLife (ex-Pam Am) e Chrysler, ao norte. A colorida Times Square no oeste... ‘‘Mas onde ficavam as Torres Gêmeas?’’, perguntou uma criança à mãe. Olhando em direção à pontinha de Manhattan, um clarão denuncia o local. Ali, tarde da noite, seguem os trabalhos de limpeza da ‘‘cárie’’. Então, vem um inevitável friozinho na barriga. É hora de descer.

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