Uma boa
válvula
de escape
Para alguns médicos, tocar um instrumento ou ouvir boa música mais que prazer é uma necessidade
Arquivo FolhaPaulo Roberto Bueno, músico e médico: ‘‘A música é onde eu jogo todo o meu lixo’’
Não é pequeno o número de médicos que já percebeu os benefícios da música no seu dia-a-dia. Além daqueles que ouvem simplesmente, como forma de relaxar, existem aqueles que tocam algum instrumento, dividindo seu tempo entre curas e partituras. São verdadeiros amantes das notas musicais, e com certeza já não saberiam mais realizar suas atividades profissionais sem o que chamam de ‘‘válvula de escape’’. A música representa, para eles, a possibilidade de devaneio que a profissão não permite.
‘‘A música é onde eu jogo todo o meu lixo’’, define o cirurgião-pediatra Paulo Roberto Bueno. Na sua clínica, em Assis (SP), existem 14 alas, mas a que o médico considera mais importante é onde está instalado o seu estúdio. Entre uma consulta e a difícil missão de relatar a pais tristes diagnósticos, ele entra no estúdio e recarrega suas forças no piano. ‘‘É ali que eu alivio minhas ansiedades’’, define Bueno.
Utilizar a música para desfrutar do equilíbrio entre razão e emoção também é o segredo do oftalmologista londrinense Willian Procópio dos Santos, que toca piano desde os quatro anos de idade. Ele diz que ‘‘quando conseguimos nos emocionar com a música, é como se estivéssemos voltando de férias. Por mais cansados que estejamos, nos sentimos recarregados no dia seguinte’’. Willian Procópio também costuma estudar ouvindo as melodias de Bach. Para ele, a harmonia das músicas do compositor é completa, ou seja, apresenta um problema e o soluciona, por isso ajuda no raciocínio.
Para José Eduardo Siqueira, cardiologista, a tecnologia está desfigurando a atitude do médico e prejudicando o relacionamento com o paciente, por isso, acredita, é preciso resgatar o vínculo humano desta relação. Foi com esta intenção que Siqueira implantou a programação cultural da Associação Médica de Londrina, durante os dois anos que esteve na presidência, entre 90 e 92. Hoje, além de um grande acervo de música clássica, a Associação tornou-se um ponto de referência cultural na cidade. (S.L.)

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