O Recife pós-pós-mangue beat anda cheio de boas surpresas. Uma delas é A Banda de Joseph Tourton, formada Diogo Guedes (guitarra e efeitos), Gabriel Izidoro (guitarra, escaleta e flauta transversal), Rafael Gadelha (baixo) e Pedro Bandeira (bateria).
O grupo foi uma das sensações da 15 edição do Rec-Beat, no meio do carnaval recifense. ''Foi um dos nossos melhores shows'', diz Gabriel Izidoro, que toca desde os 12 anos. ''A banda surgiu de momentos livres que a gente tinha. Como passávamos as tardes tocando sem nenhuma pretensão, só para se divertir e passar o tempo, não pensávamos em ter vocalista, nem fazer letra. A partir dessas jams, fazendo gravações e mostrando para os amigos, é que a gente viu que foi ficando legal e construindo nosso som'', conta Gabriel. ''Veio naturalmente, em nenhum momento a gente precisou de um vocalista.''
A mistura do rock com outros elementos é resultado da afinidade de gostos pessoais, como se vê em outras bandas. Eles gostam de Radiohead, hard rock e heavy metal ''com muita gritaria'' e dub, além de bandas de Olinda e Recife, como Nação Zumbi, Mombojó e Eddie. ''As ideias que não são aprovadas por todos ficam de fora. É um consenso mesmo. Tenho ouvido muita cumbia e mestres da guitarrada, que me têm feito pensar de forma diferente a respeito da música'', diz Gabriel.
A surpresa para quem os vê tocar pela primeira vez vem do fato de que apesar da pouca idade, os garotos já fazem um som com personalidade, consistente, de estilo difícil de definir, mas com uma firmeza de propósito transparente, além da evidente musicalidade. Música instrumental baseada em rock, mas com toques experimentais e elaboração que os aproximam do jazz, o que eles tocam reflete a cara da diversidade sonora do Recife contemporâneo. O grupo tem apenas um EP com três faixas, lançado em 2008, mas já está em estúdio gravando o primeiro disco. Com a tendência do rock instrumental em alta, é uma das boas promessas para 2010.

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