Luis Nachi/Arquivo FolhaA idéia é criar bacias fluviais exclusivas para a pesca amadora, inclusive em áreas de preservação ambiental.A partir de março, o governo vai liberar a pesca amadora em vários rios brasileiros, até nas áreas de preservação ambiental. A intenção é atrair anualmente cerca de um milhão de turistas de todo o mundo e forçar os governos estaduais a preservarem o meio ambiente em troca do retorno econômico que a atividade deverá render. Nos Estados Unidos, a pesca amadora rende por ano cerca de US$ 70 bilhões, o equivalente à metade da dívida pública brasileira.
A liberação da pesca amadora nasceu de um acordo feito entre o Ibama e a Embratur, e começa pelo rio Araguaia, experiência que será estendida para todo o Brasil. ‘‘A idéia é criar bacias fluviais exclusivas para a pesca amadora’’, anuncia o presidente do Ibama, Eduardo Martins. ‘‘Vamos unir o útil ao agradável’’, completa o chefe do Departamento de Pesca e Aquicultura do Ibama, Carlos Fernando Fischer, explicando que os Estados onde há rios piscosos serão obrigados a preservar o meio ambiente para garantir o retorno financeiro que a pesca poderá proporcionar.
Catch-release O governo não pretende mudar as regras atuais para a pesca amadora, mas deverá criar modelos próprios de gerenciamento para cada região. Uma das regras já definidas é a realização de um zoneamento nacional para escolher as áreas a serem utilizadas pelos pescadores. O levantamento fará com que o Ibama e a Embratur realizem um rodízio para evitar a degradação ambiental.
No entanto, o Ibama já tem como certo que o Pantanal, a região amazônica e o rio Araguaia serão três dos locais onde a pesca será liberada. Além disso, existem levantamentos que permitem identificar o perfil dos pescadores. Os brasileiros gostam mais dos peixes nobres, principalmente o surubim, o tambaqui e a caxara, encontrados em várias regiões do País. Os pescadores estrangeiros preferem os peixes mais resistentes, os qualificados como ‘‘lutadores de linha’’, como o peixe cachorro.
Como acontece nos Estados Unidos e em vários países da Europa, algumas associações de pescadores defendem o sistema de pesca conhecido como catch-release. Desta forma, a pesca torna-se apenas uma atividade esportiva ou de lazer. A pessoa pesca, fotografa o peixe e devolve-o ao rio.

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