Relaxe em sua cadeira mais confortável, olhe para a prancheta e escolha sua leitura preferida: o acervo conta com todas as obras de Dostoievski, Machado de Assis, Paulo Coelho ou Nietzsche - além de jornais e revistas de todo o mundo, atualizados em tempo real - tudo ao alcance do seu dedo indicador.
Não é difícil explicar a razão pela qual os leitores digitais em formato de tablet são cada vez mais um sonho de consumo. Além das obras/arquivos serem de fácil acesso e mais baratas do as versões impressas - ou até gratuitas, como no acervo de 160 mil e-books do site governamental dominiopublico.gov.br - a tecnologia do gadget (com suporte para a internet, telas que não irritam os olhos e capacidade de armazenar em média 15 mil livros) é de causar inveja para qualquer calhamaço de papel.
Com o objetivo de levantar algumas questões dessa nova onda literária, acontece hoje e amanhã, no Sesc Londrina, o encontro ''Autores & Ideias''. Hoje o destaque é a palestra ''Livro Digital'', com os escritores e blogueiros Sérgio Rodrigues e Antônio Xerxenesky, dois especialistas na linguagem digital e nas novas alternativas literárias oferecidas com o surgimento da tecnologia. Amanhã é dia do workshop ''Minha Biblioteca Digital'', em que Matheus Pacheco ensina como encontrar e armazenar e-books.
''O leitor digital e os livros digitais são, na verdade, muito conservadores'', explica Xerxenesky, que não acredita que o surgimento dessa tecnologia traga uma mudança significativa no jeito de se olhar para a literatura. ''O livro é do mesmo jeito que era em papel, a mudança está apenas no suporte'', analisa.
O fato é que, apesar da crescente tecnologia, os e-readers podem ainda não ter explorado os seus limites: o escritor americano Don DeLillo faz uma previsão do potencial de interatividade nos tablets, apontando um futuro onde o leitor será ativo na construção da história: escolhendo o rumo da narrativa pelos botões do leitor digital. ''Para quê ler um livro se ele vai me dizer apenas o que já sei?'', indaga Sérgio Rodrigues, jornalista e escritor dos blogs ''Todoprosa'' e ''Entre Palavras'', do site veja.com. ''Acho que, a partir de um certo ponto, a nova arte assim produzida deixa de merecer o nome de literatura'', analisa.
No campo de batalha comercial em que se tranformou o comércio dos e-readers, os dois grandes oponentes - o veterano e consistente Kindle, da Amazon, e o moderninho iPad, aposta e xodó da Apple - são seguidos por centenas de aparelhos similares, com empresas que tentam abocanhar uma fatia do novo mercado. ''O livro digital está comendo um grande naco do mercado dos livros impressos e vai comer ainda mais'', diz Rodrigues, que acredita que, por enquanto, o digital não vai entrar em combate direto com o papel. ''Os dois suportes vão conviver em relativa paz por um longo tempo'', prevê.
Serviço:
- Palestra 'Livro Digital', com Sérgio Rodrigues e Antônio Xerxenesky
Quando - Hoje, a partir das 19h30
- Workshop 'Minha Biblioteca Digital', com Matheus Pacheco
Quando - Amanhã, a partir das 19h
Onde - Sesc Londrina (Rua Fernando de Noronha, 264)
Quanto - Gratuito. (É preciso inscrever-se previamente pelo (43) 3378-7800)

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