Autora de dezenas de obras destinadas ao público infantil, Angela Lago é referência mundial quando se trata de ilustração para crianças; com histórias de poucas palavras - mas repletas de significado - e seres fantásticos como fantasmas, caveiras e deuses gregos.
Na extensa bibliografia da escritora estão obras como ''João Felizardo, o rei dos negócios'', ''Sete histórias para sacudir o esqueleto'' e o prestigiado ''Cena de Rua'', elogiado na França e nos Estados Unidos como sendo um dos melhores livros de imagem do mundo.
A escritora e ilustradora está em Londrina e participa hoje do ciclo de debates ''Autores & Ideias'', promovidos pelo SESC. Em entrevista exclusiva para a FOLHA, ela fala sobre as suas influências, seu site pessoal e os desafios da literatura infantil.
A senhora trabalha com obras infanto-juvenis desde o começo dos anos 80. Quais são as diferenças que você observa entre o público daquela época e o de hoje? Foi necessário mudar ou adaptar a criação de suas obras para causar o interesse dessa nova geração de leitores?
Angela Lago - Acho que nós, humanos, evoluímos muito devagar e que no fundamental somos sempre os mesmos. A mesma necessidade de humor e beleza. As crianças desenvolvem mais rapidamente com as mídias novas, mas eu conto histórias para uma criança que permanece dentro de todos nós. Não adaptei nada. Mudei o que eu mudei, porque eu mudei, ao longo da vida.
A senhora é responsável por atualizar e ilustrar o seu site pessoal - http://www.angela-lago.com.br/. Em sua opinião, é mais difícil atrair as crianças para o universo literário em uma sociedade repleta de estímulos sonoros e visuais, ou a internet e a televisão apenas aguçam a curiosidade delas, servindo como uma ponte para o descobrimento de novas histórias?
A.L. - O livro é um objeto muito tentador. A internet ajuda a vendê-lo. De qualquer maneira, como trabalho com um cruzamento, um encontro de linguagens - texto e ilustração - as novas mídias sempre me interessaram. Estou com e-books na Amazon.com e na Gatosabido.com.br e desenhando para os tablets. Vou certamente continuar fazendo livros de papel, que adoro, mas quero participar deste momento novo.
Aproveitando o tema do debate, quais foram as suas ''primeiras estórias''? Que autores despertaram na sua infância o gosto pela literatura e ilustração?
A.L. - Os contos de fada coletados pelos irmãos Grimm. Continuo amando estes contos, que são fundamentais para as crianças de todas as épocas. Mais do que livros ilustrados, a voz da minha mãe lendo histórias marcou profundamente minha infância.
Em sua opinião, quais são os maiores desafios para o autor que deseja escrever obras especificamente para o público infanto-juvenil?
A.L. - Saber que esta literatura, por incluir um público ainda não habituado à leitura, precisa ser ainda mais sedutora e mais sagaz quanto à linguagem e conteúdo. Há ainda uma busca pelo que existe de mais sofisticado: a simplicidade. (R.C.)

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