UMA BELEZA DE FILME
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de agosto de 2000
Celso Mattos De Londrina 
O grande vencedor do Oscar 99 acaba de chegar às locadoras. Beleza Americana, que levou cinco estatuetas, incluindo as de melhor filme, diretor e ator, foi considerado por muitos críticos como uma obra mascarada. O fato de existir uma dose de verdade nesta afirmação, não tira de Beleza Americana o mérito de ser uma das melhores produções desta década. O filme consegue reunir um bom roteiro, com uma direção competente e boas interpretações. Sem falar da belíssima fotografia.
O que mais se sobressai no filme é a sensibilidade cruel com que o diretor Sam Mendes conta a história de personagens perdedores e profundamente equivocados. O cineasta deu um toque de impressionismo ao enredo, fazendo com que cada espectador acima desta linha do Equador se reconhecesse na tela. Beleza Americana é uma daquelas surpresas cada vez mais raras, em que o roteiro, repleto de situações inesperadas e incrivelmanete realistas, combina perfeitamente com as imagens belas, simples e perturbadoras.
Ao criticar a hipocrisia da sociedade americana, o filme expõe conflitos familiares, ambição, insatisfação sexual e incertezas, tudo com um toque inusitado e original. Uma obra ousada sobre um tema atemporal. Beleza Americana ao lado de Clube da Luta, retira o famoso e incontestável verniz nacionalista norte-americano, mostrando a vida como realmente ela é. No elenco estão Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bently e Mena Suvari, todos ótimos. Lançamento da CIC. Duração: 121 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
DivulgaçãoFilme deu a Hilary Swank o merecido Oscar de melhor atriz
Meninos não Choram
Existem filmes que você pode até não se identificar com o roteiro e com os personagens, mas que é impossível não se importar com eles. É o caso, por exemplo, de Expresso da Meia-Noite, A Outra História Americana e o mais recente Meninos não Choram. É o tipo de filme que deixa o telespectador com um grito amarrado na garganta, sentindo-se impotente. Meninos não Choram é uma fita grandiosa, mas que poderia ser definida em apenas duas palavras: intolerância e preconceito.
Baseado em uma história real, o filme narra a curta trajetória de Teela Brandon, uma garota de 21 anos que vive uma crise de identidade sexual. Nascida mulher, ela simplesmente se nega a aceitar sua condição e vive como um homem, conseguindo enganar toda uma cidade no interior dos Estados Unidos. Uma decisão que vai lhe custar muito caro. Quando a verdade vem à tona, uma explosão de violência termina em estupro e morte. Dirigido por Kimberly Pierce, Meninos não Choram deu a Hilary Swank o merecidíssimo Oscar de melhor atriz. Nota 10 para o filme e para Hilary Swank.Lançamento da Fox. Duração 118 minutos.
DivulgaçãoChow Yun-Fat surpreende no papel do rei de Sião
Anna e o Rei
O filme foi a produção cinematográfica que teve o maior cenário já construído desde Cleópatra, ocupando uma área de 350 acres nos arredores de Ipoh, na Malásia. É um épico com belos figurinos e uma fotografia primorosa, mas a história é um pouco enfadonha. Nesta nova versão do musical O Rei e Eu, que Yul Brinner e Deborah Kerr imortalizaram em 1956, os números musicais ficaram de fora.
O diretor Andy Tennant, que fez Para Sempre Cinderela preferiu explorar melhor o relacionamento amoroso entre a professora inglesa Anna (Jodie Foster) e o rei de Sião (Chow Yun-Fat). Tennant capricha no enredo, ao narrar a história de uma mulher que, em 1862, vai para o oriente com o filho para ser tutora dos 58 rebentos do rei de Sião, um monarca ciente da ocidentalização do mundo. O gigantesco talento de Jodie Foster e a surpreendente atuação de Chow Yun-Fat valem o aluguel da fita.Lançamento da Fox. Duração: 149 minutos.


