Uma Bela Militante Ecológica
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de maio de 1997
Carlos Vasconcellos Agência Estado 
Apresentadora, cantora, atriz, modelo, empresária e... militante ecológica. Xuxa pode acrescentar mais uma atividade no seu vasto currículo, e se tiver metade do sucesso atingido na carreira artística, o meio ambiente no Brasil pode respirar aliviado. A artista acaba de lançar o cartão de crédito da sua ONG (Organização Não-Governamental) de preservação ecológica, Defensores da Terra. Numa parceria com o Banco de Crédito Real e a Visa, a organização espera arrecadar R$ 2 milhões por mês para projetos ambientais avaliados pelo Ibama.
Entre executivos do banco e membros do Ibama, a apresentadora se emocionou com a visita de um tiete especial, o pajé Sapaim, da tribo Kamayurá, do Alto Xingu, que estava hospedado numa casa perto do local e fez questão de comparecer ao evento para conhecê-la.
Os Defensores da Natureza foram criados há pouco menos de um ano, atendendo a um desejo da própria Xuxa. Antes de ser modelo, de seguir carreira artística, eu sonhava em ser veterinária, revela. Fui criada no interior, vivendo no meio do mato, com os bichos. Eu achava que iria um dia me aposentar e viver numa fazenda, com animais e a natureza. Sempre fui ligada neste assunto.
A idéia de arregaçar as mangas e ajudar na preservação ecológica surgiu quando ela começou a trabalhar com crianças. Eu via que as campanhas contra drogas, contra câncer, contra fumo, todas davam bons resultados, eram bem aceitas, daí pensei em educação ambiental.
Xuxa, então, levou o projeto ao Ibama, que pretendia lançar uma campanha de preservação. Desta união, surgiram os Defensores da Terra. O grupo já conta com cerca de 50 mil filiados em todo o Brasil e a organização tem um contrato permanente com os Correios que incluiu o lançamento de um selo cuja renda é revertida para o grupo. Segundo o diretor de ecossistemas do Ibama, Ricardo Soavinski, os recursos da venda desta carta verde estão sendo contabilizados e serão aplicados em projetos de preservação de espécies em extinção.
Na InternetOs Defensores da Terra também contam com um telefone para denúncias (0800-618080) e, em breve, terão uma página na Internet. Queremos que as pessoas se mobilizem, tomem também a iniciativa de combater a destruição ecológica, diz Soavinski.
Xuxa assume um tom sério, diferente da alegria da tevê, quando fala sobre o projeto. Fiquei muito chocada com o que vi quando fui ao Ibama. A gente ouve falar em degradação do meio ambiente mas não tem a menor idéia das barbaridades que se faz por aí. O trabalho é difícil, porque tem muita coisa para consertar, admite. Mas, se conscientizarmos a população, fica mais fácil. Aos poucos as informações vão chegar às pessoas e elas vão abraçar esta idéia.
Entre as denúncias feitas pelos Defensores da Terra, está a de que, em cada dez animais capturados irregularmente, nove morrem por maus tratos antes de chegarem às feiras para serem vendidos. Estou fazendo campanha contra isso no meu programa e aproveito para dizer de novo: não comprem animais da nossa fauna silvestre, isto é crime, diz Xuxa, que é mantenedora oficial do Ibama, ou seja, acolhe animais apreendidos e trata deles em seu sítio, em Pedra de Guaratiba, no Rio.
A organização aposta no cartão de crédito como mais um trunfo em sua cruzada. Das anuidades, 15% serão destinados ao projeto, além da captação de 0,5% das despesas. Segundo a Visa, administradora do cartão, entre os cartões de afinidade, os que fazem mais sucesso são os que defendem causas sociais ou ecológicas. Os primeiros números da campanha comprovam: em apenas 15 dias de campanha publicitária, o cartão de crédito dos Defensores da Terra já conta com cerca de mil pedidos de filiação.
Xuxa acredita que, ao falar com as crianças sobre ecologia, seu trabalho pode ter efeitos de longo prazo, criando adultos conscientes sobre o problema ambiental. Acho que minha mensagem também atinge os adultos, diz. As pessoas me aceitam - e ficam sensibilizadas com a mobilização das crianças. É preciso fazer a informação chegar às pessoas. Não podemos ter medo de desagradar as indústrias que poluem ou os fazendeiros que fazem queimadas. Todos temos de fazer nossa parte, inclusive a imprensa, conclui.


