É briga para recordista nenhum botar defeito. De um lado, a ressuscitada voracidade jurássica dirigida com empenho meramente burocrático por Steven Spielberg. De outro, não menos badalada e cortejada, mais uma sequência do homem-morcego e seu fiel escudeiro, Robin, sob a tutela do festeiro diretor Joel Schumacher. Com o problemático Val Kilmer ausente do ringue, a disputa obedece apenas às regras do mercado, sem risco de que o T-Rex tenha uma orelha devorada. No final da contenda deve dar ‘‘O Mundo Perdido’’ com uma diferença significativa, embora ‘‘Batman e Robin’’ (veja a programação de cinema na página 5) deva manter regularidade de bilheteria.
Diante da síndrome dos dinossauros, a Warner não quis brincar em serviço e acionou todo seu arsenal de recursos para obter imediata resposta do público. Entre os muitos trunfos, formou e exportou uma nova dupla de divulgadores de peso: o próprio diretor Joel Schumacher - nenhum parentesco com o piloto alemão de Fórmula 1 - e o ator Chris ‘‘Robin’’ O’Donnell. Os dois estão correndo mundo e ajudando o estúdio a vender o produto. (Não que a grife Batman seja de difícil comercialização. Mas é sempre prudente não dar chance ao azar.) Chegaram esta semana ao Brasil para divulgar o filme. Figurinhas fáceis, estiveram até no ‘‘Programa Livre’’ do animador de auditório ‘‘teen’’ Serginho Groisman. Nas entrevistas coletivas esbanjaram bom humor e simpatia, mas Schumacher não revelou nenhuma novidade, nada que qualquer jornalista razoavelmente informado já não soubesse através de publicações especializadas ou mesmo através de ‘‘gossips’’ ou inconfidências estrategicamente plantadas pela própria Warner nos últimos meses.
Batman softEx-cenógrafo e figurinista, Joel Schumacher, 55 anos, tem falado principalmente dos dois assuntos de que mais gosta: o seu aparentemente irreconciliável rompimento com Val Kilmer, ex-‘‘Batman Forever’’ e de início escolha da Warner para este quarto filme da série; e a guinada de rumos que imprimiu ao personagem. No primeiro caso, tornou-se de imediato anedótica, e depois folclórica, a queda-de-braço protagonizada por ator e diretor durante as filmagens de ‘‘Eternamente Batman’’.
Kilmer, a esta altura ninguém ignora, faz com insistência o tipo bad boy . Temperamental, sua conduta profissional tem sido instável, com predominância de chuvas e trovoadas. Por várias vezes esteve para trocar tapas - sem beijos - com Schumacher nos sets. O ator adora ‘‘compor’’ seus personagens, meio à revelia. Tem diretor que aceita, tem diretor que não tolera. Apesar de ser flor que se cheire, Schumacher respirou aliviado e soltou a matilha em cima do ator quando ele optou por fazer ‘‘O Santo’’, cujas filmagens começariam simultaneamente com ‘‘Batman e Robin’’. Para ele, na melhor da hipóteses, Kilmer é psicologicamente desequilibrado.
Por outro lado, só há elogios do diretor para o novo Batman, George Clooney. Schumacher confessa que não conhecia ‘‘Plantão Médico’’, a série televisiva que empurrou o ator para o cinema e o sucesso. Mas ficou impressionado quando viu ‘‘Um Drinque no Inferno’’. A escolha foi imediata. E justificada depois do filme pronto: ‘‘Desta vez Batman é muito mais acessível e humano, e muito menos narcisista do que estávamos acostumados a ver. Há quem prefira aquele outro Batman dark. Preferi criar este, cheio de sensualidade e colorido’’. Por trás da indireta a Val Kilmer, há outros destinatários que Schumacher incompreensivelmente parece querer fustigar.
Os dois Batman assinados por Tim Burton e interpretados por Michael Keaton estão entre os objetos mais criativos saídos da máquina industrial de Hollywood nos últimos anos. A vertente clean inaugurada por Schumacher pode até obter a preferência de faixas etárias mais numerosas (e rentáveis, obviamente), mas o segmento sombrio concebido por Burton é esteticamente brilhante, tematicamente mais consistente e estilisticamente mais instigante.
O preço de Schwarzzie Um entre a centena de boatos publicitários que circularam em torno do lançamento americano de ‘‘Batman e Robin’’, dia 20 de junho, foi o cachê cobrado por Arnold Schwarzenegger, o coloridíssimo arquivilão Mr. Freeze, que aterroriza Gotham City com seus gélidos poderes. A versão alarmista: 50 milhões de dólares. A econômica: uma cifra simbólica, algo em torno de um milhão, só pelo prazer de fazer pela primeira vez um personagem assistível pelos três filhos. A real: 15 milhões de dólares, no momento o preço-cotação do ator.
Mais baratinho com certeza ficaram os salários da Bat-Girl, a patricinha Alicia Silverstone, e da sensual vilã Poison Ivy, na pele (!) de Uma Thurman. No mais, não se gastou tanto assim. Afinal, vestuário e utensílios - Batmóvel, Bat-caverna, Bat-Alfred - já são patrimônio reciclável da Warner desde 89, ano de estréia da série.

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