Arquivo FolhaGlória Pires, no papel da ambiciosa babá Nice: ‘‘Anjo mau é um novelãoQuando Maria Adelaide Amaral recebeu a tarefa de escrever a nova novela do horário das 18 horas na Globo, que estréia hoje, ela apresentou uma sinopse no estilo de romance policial. A história, com o título de ‘‘A sombra e a Suspeita’’, foi, no entanto, recusada pelo vice-presidente de coordenação estratégica José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Na opinião de Boni, a história não atrairia a audiência. A autora, no entanto, viu que sua sinopse coincidia em alguns pontos com o argumento de ‘‘Anjo Mau’’, escrita por Cassiano Gabus Mendes em 1976. Ambas mostravam uma jovem pobre que fazia de tudo para vencer na vida e conquistar um marido rico.
A solução foi optar por um remake do argumento de ‘‘Anjo Mau’’ e adaptar a trama de ‘‘A sombra e a Suspeita’’. ‘‘A partir daí, os personagens foram se encaixando’’, admite a autora. A única coisa que ficou do original de Cassiano foi o núcleo central, formado pela família Medeiros e a protagonista Nice, interpretada por Glória Pires. ‘‘Os outros personagens tiveram suas personalidades mudadas’’, garante Maria Adelaide.
Mas quem assistiu à história original pode ficar tranquilo: vai poder rever os devaneios de ascensão da protagonista Nice. Ela não se conforma com sua posição social de classe média baixa e vai trabalhar como babá na mansão dos Medeiros para ficar perto da riqueza. Nice acaba se apaixonando pelo irmão da patroa, Rodrigo, papel de Kadu Moliterno, e decide conquistá-lo a qualquer preço. Para conseguir seu objetivo, a babá passa o dia cuidando do bebê Téo e maquinando contra as pessoas que estão no seu caminho. O principal alvo é a noiva de Rodrigo, Paula, personagem de Alessandra Negrini.
‘‘Anjo Mau’’ marca a estréia do diretor Carlos Manga no gênero novela e o primeiro vôo solo da novelista Maria Adelaide Amaral. Além da responsabilidade da estréia, a tarefa dos dois implica ainda o dever de aumentar a audiência do horário, que não ultrapassa a casa dos 30 pontos. Essa é a cobrança do vice-presidente de coordenação estratégica da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. ‘‘A novela cumprirá o seu papel se ficar entre 35 e 45 pontos de audiência’’, determina Boni.
Para alcançar os números determinados, Carlos Manga e Maria Adelaide são unânimes: ‘‘Vamos apostar no folhetim. O telespectador vai ter de tirar o lenço do bolso para enxugar as lágrimas’’, asseguram. A idéia é mesmo de não fazer nada sofisticado para o horário.
Mascotes - Foi essa possibilidade de se destacar num folhetim à moda antiga que atraiu a atriz Glória Pires para o papel de Nice. ‘‘Anjo mau é um novelão, envolve romance, suspense e emoção’’, analisa. Uma fórmula diferente de ‘‘O Rei do Gado’’, onde Glória atuou na pele de Rafaela Berdinazzi. ‘‘O Rei do Gado foi frustrante. Parecia um grande clipe’’, critica.
Se depender da autora, ‘‘Anjo Mau’’ não corre o risco de virar um grande clipe. Maria Adelaide promete que cada intervalo comercial terá um gancho para segurar o telespectador na espera do bloco seguinte. ‘‘A narrativa vai ser muito rápida. Pretendo não deixar barriga’’, enfatiza. Para manter o ritmo da novela, a autora propõe cenas movimentadas, como um pega entre os carros de Olavinho, vivido por Gabriel Braga Nunes, e Luiz Carlos, papel de Márcio Garcia. A autora pretende modernizar a trama e tem planos de transformar o conhecido final, com a morte de Nice, em uma espécie de ‘‘Você Decide’’, com o público escolhendo.
A expectativa de Maria Adelaide é que todo esse esforço garanta o Ibope previsto por Boni. ‘‘É uma grande responsabilidade porque essa novela já deu certo antes’’, afirma. Se tudo correr bem, o Vice-presidente garante para a novela um orçamento de US$ 50 mil por capítulo. Uma quantia digna de novela das oito. Se algo der errado, no entanto, Maria Adelaide já percebeu que terá muitas explicações a dar.
Apesar de Glória Pires ser a protagonista de ‘‘Anjo Mau’’, ela tem de dividir a maioria das cenas com um outro personagem sem falas, mas não mudo. É o bebê Téo, interpretado pelos gêmeos Bruno e Tiago. Com um ano de idade, os dois já se tornaram os mascotes da novela e, na maioria das vezes, são os responsáveis pelo atraso das gravações. ‘‘Se chorar não tem jeito, tem de ter muita paciência’’, enfatiza Ana Cristina Guimarães, mãe dos gêmeos.
Para Glória Pires, o convívio com as crianças acabou sendo um incentivo. ‘‘Já planejo engravidar quando terminar a novela’’, afirma. A atriz, no entanto, tem de disputar a atenção das crianças com o ator Daniel Dantas, que interpreta Tadeu, pai dos gêmeos na ficção. Os dois não podem ver o ator que já correm para o colo dele, provocando ciúmes até na mãe verdadeira. ‘‘Eles estão ficando muito agarrados com o Daniel’’, reclama.

mockup