Vai ser divertido. Da última vez que esteve na cidade, Arrigo Barnabé trouxe o espetáculo ''Caixa de Ódio'', em que interpretava canções do gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974). Hoje volta à sua cidade natal para uma ''aula show'', formato em que alterna números musicais e divagações sobre o seu processo de criação.
A apresentação começa às 21h no Teatro Zaqueu de Melo, dentro da programação do Londrix/Festival Literário de Londrina. No próximo mês ele completa 61 anos, idade que o torna um ''veterano da MPB'' aos olhos das novas gerações, já distanciadas do impacto provocado pelo álbum de estréia do artista - o ainda desafiador ''Clara Crocodilo'', lançado em 1980.
Referência incontornável quando se fala em Arrigo, o disco marcou época aglutinando elementos de rock, canção popular, música erudita contemporânea (atonalismo e dodecafonismo), histórias em quadrinhos e narrações radiofônicas de programa policial. Na ocasião do lançamento, o compositor virou unanimidade da crítica, que o incensava como o fenômeno musical mais inovador da música popular brasileira desde o tropicalismo.
Encabeçou, ao lado de Itamar Assumpção, um núcleo de artistas emergentes batizado pela imprensa de ''vanguarda paulistana'' que era integrado também pelos grupos Rumo, Premeditando o Breque e Língua de Trapo. Posteriormente, sua trajetória foi norteada por trabalhos mais acessíveis ao público e composições para trilhas sonoras. A seguir leia entrevista com o artista.
Você foi convidado para apresentar-se no formato ''aula-show''. Como é isso? Como será essa apresentação?
Arrigo Barnabé: É uma coisa muito legal, eu vou falando sobre o processo de composição e tocando as peças, exemplificando o trabalho.
Você continua se apresentando com o espetáculo ''Caixa de Ódio''? Em que cidade as canções de Lupicínio foram recebidas com mais entusiasmo?
Sim, continuo, em todo lugar é muito bem recebido, fizemos muito em Porto Alegre, como você pode imaginar, foi muito bom lá. No Rio de Janeiro também foi muito legal. Mas é claro que em São Paulo é sempre especial.
Você atuou no longa ''Nervos de Aço'', dirigido por Maurice Capovilla, fazendo o papel de um músico que monta um espetáculo baseado na obra de Lupicínio. O convite surgiu depois do diretor vê-lo no palco com o ''Caixa de Ódio''? A propósito, o filme tem data para estrear?
Eu soube que ele iria fazer o filme, e pedi que dissessem a ele que eu queria trabalhar no projeto. Ele me ligou, e depois foi assistir o show na Casa de Francisca, e me convidou. O filme está tentando captar recusros para a finalização...
Você tem uma relação já bastante íntima com o cinema. Está envolvido atualmente em algum projeto de trilha sonora ou outra participação como ator?
Acabei de fazer a trilha para um filme sobre a Anita Garibaldi, uma produção paranaense, da LAZ de Curitiba, e dirigida por um italiano, Alberto Rondalli. Escrevi uma canção tema para o filme também, e foi belamente interpretada por outra paranaense, Thais Gulin.
Você tornou-se uma referência na música popular brasileira com o seu primeiro álbum, ''Clara Crocodilo'', considerado vanguardista na época em que foi lançado, em 1980. O que você acha que ocorreria se o disco fosse lançado hoje? Como seria a recepção? Ele teria o mesmo impacto?
Acho que faria muito mais sucesso.
O Paulinho, seu irmão, virá no próximo mês a Londrina com a Patife Band para participar do festival Demo Sul. Lembro que ele tocou na banda Sabor de Veneno, em 1979. De lá pra cá, vocês trabalharam juntos outras vezes?
Sempre estamos trabalhando juntos. Agora mesmo, no próximo domingo tocaremos juntos em Belo Horizonte, no show ''Tubarões Voadores''.

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