Uma artista moderna
UMA ARTISTA MODERNA
Enquanto espera sair o disco com a irmã Tetê, Alzira Espíndola divulga seu trabalho na MPB dos anos 90
Antônio Mariano Júnior
Marco AurélioAlzira Espíndola: Agora estou bem definida. Agora eu sei o caminho do som que está na minha cabeçaSou uma
cantora de
MPB popFalta só definir a gravadora. Mas é quase certo que dentro de dois meses chegue às lojas um disco que reúne duas irmãs talentosas que, apesar de percorrerem caminhos distintos, vão unir vozes e instrumentos para interpretar pérolas do cancioneiro brasileiro compostas entre os anos 30 e 50. São elas Alzira e Tetê Espíndola. O disco, Anahí, gravado ao vivo nos dias 17 e 18 de janeiro deste ano no Instituto Cultural Itaú, em São Paulo.
Ao todo, 12 faixas. Alzira no violão, Tetê na craviola. Dos dedos e das vozes, músicas como Mágoa de Caboclo, Pé de Cedro, Chalana, Sertaneja, Galopeira, Meu Primeiro Amor, entre outras.
Além disso,Anahí (canção baseada numa lenda tupi-guarani de uma índia guerreira que morre queimada) tem tudo para reposicionar Tetê Espíndola como uma intérprete de projeção nacional e projetar de vez Alzira como uma cantora, compositora e instrumentista que trilha por um caminho muito particular dentro da moderna MPB. Esse disco é um momento muito verdadeiro para mim e Tetê. Ele traz coisas que duas irmãs receberam como a mesma formação musical, viram os mesmos rios, os mesmos bailes... Estamos maduras o suficiente para nos assumirmos como dupla - diz Alzira.
Enquanto Anahí não chega às lojas, Alzira continua divulgando o seu Peçamme, lançado no final de dezembro de 96 pelo Selo Baratos Afins. A divulgação é feita pela própria artista. Como a que fez recentemente em Londrina, quando acompanhou Itamar Assumpção nos shows que ele fez durante o Festival Internacional de Teatro.
É um trabalho conceitual, com uma linguagem muito pessoal depurada por Alzira numa trajetória que começou, profissionalmente, aos 18 anos. Peçamme inclina-se para o pop. Não para o pop desvairado e comercial, mas para um jeito peculiar de se integrar à diversidade musical que a MPB dos anos 90 abarca. Quinze faixas. Itamar Assumpção mais uma vez se diz presente como parceiro, como uma espécie de alter-ego musical. São dele nove faixas, algumas em parceria com Alzira.
Peçamme é um passeio na imensa floresta sonora que cerca Alzira que privilegia também a poética, o sutil molejo das palavra. Há outros parceiros, como a poeta curitibana Alice Ruiz, Luli (da dupla Luli e Lucina), Jerry e Humberto Espíndola e Paulo Salles. Mas é Itamar quem prevalece. O que não é nenhuma novidade, já que Alzira e ele são parceiros musicais há nove anos, o que rendeu 30 músicas. Tenho vários parceiros, mas acontece que Itamar está mais próximo. A vida tem deixado a gente compor bastante- avisa. A ligação vem de longe, desde os tempos da chamada Vanguarda Paulistana, aquele turbilhão musical capitaneado por Arrigo Barnabé e Itamar. Antes de mais nada é preciso esclarecer uma coisa: ninguém foge de ninguém. Ou seja, Alzira Espíndola não corre dos discos e muito menos as gravadoras se afugentam dela. Sim, porque os menos desavisados poderiam questionar o porquê de, em 23 anos de carreira, ter gravado apenas três trabalhos solos. A resposta é simples: durante todo esse tempo a cantora, compositora e instrumentista mato-grossense esteve em busca de amadurecimento, de definição de trilha musical a ser seguida.
Tudo sem pressa, sem apavoramento. Eu prefiro me preocupar com a criação do que com a colocação. A colocação o tempo dá- diz Alzira. E nesse ponto, Peçamme é uma forma de ela dizer que sabe muito bem o que quer para sua sonoridade. Agora estou bem definida. Agora eu sei o caminho do som que está na minha cabeça - diz ela. Sou uma cantora de MPB pop. Tenho aquela coisa suave e melodiosa da MPB mas com a cara pop- complementa.
Para chegar a essa definição, Alzira passeou por muitas searas - do regionalismo, passando pelo experimentalismo até encontrar eco dentro da moderna MPB. Soube tirar proveito de tudo. Com passos tão decididos e caminhos bem sedimentados a certeza só pode ser uma: logo, logo Alzira vai conquistar o Brasil. E de vez.





