Pele alva, olhar lânguido, rosto intrigante. A beleza plácida de Simone Spoladore faz lembrar a de certas atrizes européias, como a francesa Isabelle Adjani ou a italiana Isabella Rossellini. Coincidência ou não, essa curitibana de 22 anos volta a interpretar uma personagem européia na tevê. Há dois anos, quando estreou como a protagonista de ‘‘Os Maias’’, Simone deu vida à cortesã portuguesa Maria Monforte. Em ‘‘Esperança’’, a nova novela das oito, ela interpreta Caterina, uma camponesa italiana que ajuda o pai Vincenzo, personagem de Othon Bastos, a realizar o sonho de ter as suas próprias terras. ‘‘Queria entrar para a tevê fazendo algo de que gostasse muito. Acho que valeu a pena esperar’’, avalia.
Muito antes de ser escalada para atuar em ‘‘Esperança’’, Simone Spoladore chegou a ser sondada para fazer testes para as novelas ‘‘Terra Nostra’’ e ‘‘Andando nas Nuvens’’. Nenhuma das duas sondagens, porém, entusiasmou a atriz. ‘‘Não me interessei pelos trabalhos e acho que fiz o certo’’, admite, sincera. Convite mesmo ela só recebeu para fazer ‘‘Coração de Estudante’’, mas Simone refutou a proposta, alegando falta de tempo. Na época, ela ainda estava divulgando o filme ‘‘Lavoura Arcaica’’, adaptado a partir do livro de Raduan Nassar pelo atual namorado, o diretor Luiz Fernando Carvalho, o mesmo de ‘‘Esperança’’ e de ‘‘Os Maias’’. ‘‘O bom ator também está nas escolhas que faz’’, enfatiza.
Por trás do criterioso processo de seleção de Simone Spoladore costuma estar Luiz Fernando Carvalho. Foi ele que convidou a atriz para fazer um teste para a minissérie ‘‘Os Maias’’. O papel de Maria Monforte chegou a ser oferecido a Letícia Spiller, mas Luiz ‘‘preferiu’’ escalar um rosto até então desconhecido do grande público. Para fazer a minissérie, Simone usou lentes de contato azuis e encaracolou as longas madeixas. Hoje, a atriz chega a se emocionar ao falar do ‘‘padrinho artístico’’. ‘‘O Luiz é tão apaixonado pelo que faz que acaba transmitindo essa paixão para quem está perto. Ele consegue fazer com que toda a equipe dê o melhor de si’’, derrete-se.
Até o momento, porém, Simone ainda não foi dirigida por Luiz Fernando em ‘‘Esperança’’. Enquanto o diretor embarcava para Civita di Bagnoregio, no Norte da Itália, Simone viajava para Araraquara, no interior de São Paulo, onde está localizado o núcleo de imigrantes sardos. O simples fato de gravar as primeiras cenas de Caterina na fazenda que serve de locação para a família de Vincenzo, papel de Othon Bastos, já facilitou o processo de composição da personagem. Lá, Simone fez de tudo um pouco: desde atividades domésticas, como lavar roupa, até serviços mais braçais, como arar a terra. ‘‘A Caterina é o quarto personagem de época que faço em dois anos. Acho ótimo. O aspecto lúdico é muito grande’’, esclarece.
Das cenas gravadas no interior de São Paulo, Simone destaca a da dança sarda como uma das mais emocionantes. Durante três semanas, ela e o ator Emílio Orciollo Netto, que interpreta Marcello, irmão de Caterina, ensaiaram com o Grupo Folclorístico Giuseppe Garibaldi, de Curitiba, os passos da dança Ballo Della Disputa. Com oito anos de balé clássico no currículo, a atriz não teve maiores dificuldades. ‘‘Foi uma delícia!’’, resume, levemente encabulada.
De fato, timidez é o que não falta a Simone Spoladore. Ela pensa bastante antes de responder e escolhe cada palavra que pronuncia. Reservada, não sabe explicar a baixa audiência de ‘‘Os Maias’’, mas se diz orgulhosa do papel que marcou sua estréia na tevê. ‘‘Estreei como protagonista, fiz um personagem do Eça e ainda fui substituída pela Marília Pêra. Foi uma empreitada e tanto’’, enumera. A estréia em novelas também não deve ser das mais fáceis. A atriz, porém, se recusa a pensar em eventuais contratempos típicos de uma novela, como o ritmo intenso das gravações, demora na entrega dos capítulos ou mudanças bruscas no rumo dos personagens. ‘‘Ainda está cedo para pensar nisso tudo. Gosto de fazer as coisas devagar e sempre com muita calma’’, desconversa.

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