Uma arte secular
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de julho de 2001
De Curitiba 
O Teatro de Bonecos é uma arte inserida no contexto social, histórico, cultural, econômico e político. Faz parte de uma realidade, possui valores que o transcendem e, com uma concepção própria dos seres humanos e do mundo, atinge o universal, eliminando as barreiras das fronteiras e do tempo.
Conhecido e praticado na antiguidade na Índia, Egito, Grécia e Roma, entre vários outros povos europeus, asiáticos e africanos, ele deve ter chegado ao Brasil a partir do século 16, trazido pelos colonizadores lusos.
Posteriormente, no século 19, imigrantes germânicos também trouxeram o seu teatro de títeres o Kaspelstheater, que ainda hoje existe no Rio Grande do Sul, e é considerado uma das manifestações mais interessantes entre os fenômenos de aculturação no folclore gaúcho, onde se identificam e confluem tradições germânicas e lusas em território brasileiro.
As apresentações mais antigas de teatro de marionetes, no Brasil, foram mencionadas no Rio de Janeiro, no século 18, por Luiz Edmundo, no livro O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis.
Nas diversas regiões brasileiras, esse teatro de fantoches, teve e tem várias denominações: Briguela ou João Minhoca, em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro; Mané Gostoso, na Bahia; Mamulengo, em Pernambuco; João Redondo, no Rio Grande do Norte e Paraíba.
No mundo antigo, o teatro de títeres teve caráter sagrado. Apresentava-se através do presépio. A princípio com figuras imobilizadas. Depois, com movimento de braços, pernas e cabeça. Hoje em dia, o teatro de bonecos no Brasil é totalmente profano. (E.M.C.)


