A dança indiana é uma das formas de arte mais antigas de que se tem notícia. E conserva, até hoje, seus movimentos perfeitos de séculos atrás, sobrevivendo às mudanças e dificuldades, mantendo fundamentos e filosofias básicas com disciplina rigorosa. Para os hindus (seguidores da filosofia religiosa Hinduísmo), a dança é a forma de adorar que mais agrada aos deuses. O Upanishads, um dos seus livros sagrados, traz o veda (princípio) que diz: ‘‘torne-se deus para adorar o deus’’. E os hindus dançam para se tornarem deuses.
Cada região da Índia possui estilos e formas diferentes de danças sagradas, com uma raiz comum: o ‘‘Natyashastra’’, atribuído ao homem santo chamado Bharatamuni. Segundo Eduardo Judas Barros, diretor do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da UEL, acreditava-se que os deuses estavam se divertindo porque todos se encontravam bem e com muito tempo livre. E o problema dos deuses, segundo Barros, era atrair a atenção dos mortais. ‘‘Foi então que deus Brahma, o Criador, pediu a Bharatamuni para criar um conceito de divertimento no qual a salvação seria o objetivo final. O deus Shiva foi chamado para explicar o tratado de Bharata’’ - explica.
Assim, apesar de diversas, as danças clássicas das diferentes regiões - como a Bharatnatyam, Mohiniatham, Kuchipuddiu, Odissi e outras - , são todas baseadas nas instruções de ‘‘Natyashastra’’, que faz deliberações sobre posições de cada parte do corpo, as formações gestuais das mãos e seus significados, os tipos de emoções e categorias, além de trajes, palco, jóias e até mesmo o público que vai assistir.
Todas também se baseiam em nove emoções ou rasas: felicidade, zanga, aborrecimento, medo, tristeza, coragem, compaixão, devaneio e paz. As emoções se manifestam particularmente através do rosto, olhos e mãos.
(T.E.)

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