UMA APRESENTADORA DE FUTURO
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de maio de 2000
André Bernardo TV Press 
Adriane Galisteu jura que o sonho de apresentar um programa voltado para o público jovem é antigo. Mais precisamente, do tempo em que, recém-formada no magistério em São Paulo, dava aulas para adolescentes da rede pública. O que essa paulistana de 26 anos não podia imaginar é que, um dia, se transformaria numa próspera apresentadora de tevê. O sucesso da moça pode ser traduzido em números. Há pouco mais de seis meses no ar, o programa Superpop é o mais estável da Rede TV!, com média em torno dos 5 pontos e picos que já alcançaram dois dígitos no Ibope. Se souber fazer direitinho, tenho tudo para me transformar numa nova Hebe, ambiciona.
A apresentadora do SBT, porém, não é a única fonte de inspiração de Adriane. Além do carisma de Hebe, a apresentadora do Superpop se diz fã assumida do senso empresarial de Xuxa Meneghel e da argúcia de Marília Gabriela. Enquanto não adquire os atributos das concorrentes, ela trata de aproveitar o momento. Uma das novidades do Superpop é que o programa passou a ser transmitido ao vivo. Não posso ficar alienada do que rola. A partir de agora, posso repercutir fatos que aconteceram durante o dia no Brasil inteiro, adianta.
A idéia surgiu há cerca de dois meses, quando Adriane viveu experiência parecida em Cabo Frio, Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Mesmo assim, ela não parece assustada com a responsabilidade de encarar o público em tempo real. Não sou do tipo que fica em cima do muro ou que levanta bandeiras só para parecer boazinha. Falo o que penso e o público gosta disso, avalia.
E não somente o público, mas a concorrência também. Recentemente, Adriane Galisteu foi sondada pela Band e Record. No entanto, ela se viu obrigada a recusar os dois convites. Ao que parece, o coração da apresentadora do Superpop falou mais alto. Há quatro meses, ela namora Rogério Gallo, o superintendente artístico da emissora. Ainda é cedo para pensar nisso. Só agora deixei o programa do jeito que queria e, graças a Deus, os índices mostram que o público aprovou as mudanças, ressalva.
Mas nem sempre foi assim. Antes de se firmar como apresentadora de razoável competência, Adriane já passou por poucas e boas. A estréia na tevê aconteceu em 1995, quando ela foi convidada pela modesta CNT para apresentar o Ponto G. No programa, Adriane fazia de tudo: desde se arriscar como comediante até apresentar um quadro de esportes radicais, como pára-quedismo e alpinismo. Dois anos depois, ela recebeu um convite do diretor Walter Avancini para trabalhar em Xica da Silva, da Manchete.
A experiência, porém, não deixou saudades. Na trama de Walcyr Carrasco, a personagem de Adriane foi estuprada, não pronunciava uma palavra sequer, estava sempre com os seios à mostra e vivia como uma selvagem à beira do rio. Minha participação foi péssima!, limita-se a dizer.
Aparentemente desapontada com a carreira de atriz, Adriane voltou a se aventurar como apresentadora de tevê. A primeira investida aconteceu na MTV, onde Adriane dividia o comando do Quiz Show com o líder do grupo Baba Cósmica, Rafael. Atualmente, Adriane negocia um programa-solo na emissora musical. Mesmo assim, ela não se dá por satisfeita.
Ainda este ano, planeja divulgar sua nova linha de cosméticos, escrever um livro com dicas de moda, voltar ao teatro em Replay, espetáculo de Gabriel Villela, e negociar novas fotos para o aniversário de 25 anos da revista Playboy. No final do ano passado, surgiu a idéia de eu posar na Nasa, mas não conseguimos autorização. Agora, não sei onde vão ser as fotos, confessa.
Mesmo com a agenda tão lotada, a atenção da moça está mesmo voltada para o Superpop. Segundo Adriane, o melhor do programa é o simples fato de estar ajudando o público que assiste à MTV a mudar o conceito que tinha da apresentadora. Muitas pessoas já me pararam na rua para dizer que, antes, não gostavam de mim, mas que hoje gostam, orgulha-se.
A modelo, atriz e apresentadora Adriane Galisteu tem a rara capacidade de transformar tudo que faz em polêmica. Foi assim em 1994, quando ficou conhecida como a modelo que se promoveu em cima do falecido piloto Ayrton Senna. Sempre batalhei pelo meu espaço. Nunca me aproveitei da fama dele para nada, garante. Há meses, ela voltou a levantar polêmica depois do efêmero casamento com o publicitário Roberto Justus. Hoje, ela já promete ser mais discreta no que diz respeito ao namoro com Rogério Gallo. Só tenho a minha mãe e quero dar muitos netos a ela, frisa.
Adriane, porém, não suscita polêmica somente quando o assunto é pessoal. Ano passado, ela criou rebuliço, mesmo sem querer, quando foi chamada pela diretora Bibi Ferreira para substituir Lucélia Santos na peça Deus Lhe Pague, de Procópio Ferreira. O ator Walmor Chagas ficou tão indignado que liderou um manifesto contra a diretora. A experiência anterior de Adriane como atriz também não foi das melhores. Ela afirma que não recebeu qualquer orientação do diretor Walter Avancini quando atuava em Xica da Silva. Queria aprender, mas ninguém queria me ajudar, alfineta.


