Um vôo sobre a arte
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2003
Ana Setti<br> Reportagem Local 
As pessoas que circulam hoje pelo remodelado aeroporto de Londrina, com um movimento médio de 850 a 900 passageiros por dia, encontram uma série de atrativos, além de simples aviões de carreira. De acordo com o conceito moderno de aeroportos, que os vinculam a lojas, livrarias, lanchonetes, restaurantes e até mesmo a auditórios, transformando-os em ''aeroshoppings'', também se reserva espaço para a divulgação da arte e para o estímulo à cultura. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), que administra 65 aeroportos no país, respondendo por 97% do movimento do transporte aéreo brasileiro, mantém ''espaços culturais'' em todos eles. Quase, faltava o de Londrina, que surgiu com a reforma, concluída em novembro do ano passado e na qual foram investidos R$ 8,4 milhões, ampliando a área construída do aeroporto de 1.800m2 para 6.000m2.
É um espaço cultural ''mutante'', como explica Valéria Stocco Gil, da área de Comunicação Social da Infraero, tanto pela variedade de expressões artísticas que pode abarcar, quanto pela disponibilidade de lugares estratégicos para acolhê-lo. Na inauguração, em novembro, o tema mais do que apropriado foi ''Memórias do Aeroporto'', reunindo fotos de antes e depois da reforma e resgatando, assim, por meio de imagens que ''falam'' por si, toda uma história, com início na década de 30 e que conheceu seu auge nos anos 50. A área escolhida para abrigar a exposição, onde ocorreu o coquetel de inauguração, situa-se perto do ''boulevard'' externo. A atual, ''Andanças'', está bem ao lado da sala de embarque e, igualmente, traz fotos, mas de locais diversos do Brasil, permitindo ao passageiro, antes de iniciar a viagem real, fazer um vôo rasante e emocionante pelas belezas pátrias.
As 24 fotos da exposição, que se encerra no dia 9 de março, são do fotógrafo diletante Walter Ney, bastante conhecido por outros projetos, entre os quais o livro ''Margens do Igapó'', publicado em dezembro de 2002, com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura. Ele se mostra entusiasmado com a abertura de mais um local, em Londrina, destinado às artes. ''Quem ganha é a cultura'', afirma, realçando que ''o aeroporto tem charme, com a vantagem de ser um espaço público e, por isso, menos limitado do que uma galeria''.
A cultura no aeroporto está com a agenda cheia. Logo a seguir a ''Andanças'' virá uma exposição ''mística'' - também viajante - que vai levar os visitantes ao ''Caminho de Santiago de Compostela'', por meio de mapas e fotos dos locais percorridos pelos peregrinos. Mais à frente está previsto um ''mergulho'' nas ''Maravilhas do Rio Tibagi'', com fotos classificadas em concurso. Em mostra paralela, organizada pelo SESC de Londrina, os pontos turísticos da cidade também serão destaque, logo ali, na área de desembarque.
Mas, assim como os aviões, as idéias voam no novo aeroporto, para satisfação da ''comunidade'' local, integrada por 450 pessoas. De acordo com Valéria, há um projeto de fazer soar pelo saguão o canto dos corais de Londrina, ou ainda de trazer para um contato mais próximo as roupas usadas no filme Gaijin. Mas os frequentadores habituais, como Paulo Francisco Inoue, interessam-se em participar desse plano de vôo. Impressionado com as mudanças no aeroporto, que, segundo afirma, alcançou o nível de alguns internacionais, Paulo defende a inclusão de um som de fundo. Em algum lugar do aeroporto, sugere, ''devia ter alguém tocando bossa-nova!''.


