O mágico David Copperfield fez na, noite de anteontem, no Metropolitan, no Rio de Janeiro, a estréia da turnê brasileira do espetáculo ‘‘Sonhos e Pesadelos’’ - o show de ilusionismo que bateu recorde de faturamento na Broadway. Quem assistiu à apresentação, entendeu perfeitamente porque, em apenas cinco semanas, os norte-americanos deixaram na bilheteria US$ 6 milhões. Diante de uma platéia abarrotada de vips e anônimos, Copperfield arrebatou até o mais cético dos espectadores com seus números que reúnem muita luz, brilho, fumaça, toneladas de efeitos especiais e truques de magia indevassáveis.
O número mais esperado da noite é, claro, aquele em que o mágico voa no palco. A despeito de todas as explicações técnicas já divulgadas, segundo as quais o truque da levitação seria realizado com fios presos ao corpo do mágico, é impossível não acreditar que Copperfield realmente voa. Mais impossível ainda achar que ele faz isso pendurado por fios. Suavemente, o mágico voa por toda a extensão do palco, das mais diversas maneiras: de barriga para baixo, de barriga para cima, dando piruetas.
Inveja da Xuxa Para provar que não há nenhum fio preso a seu corpo, assistentes passam argolas de aço em volta de Copperfield. Para culminar, o mágico chamou uma moça da platéia e voou com ela no colo. ‘‘Eu queria ter voado também’’, disse a apresentadora Xuxa, na platéia, logo após o término do espetáculo. ‘‘Fiquei com uma inveja boa da pessoa que ele escolheu, queria estar ali’’. Quem também se encantou com o número do vôo foi o cantor e compositor Roberto Carlos. ‘‘Gostei de tudo, mas o vôo é o mais impressionante’’, disse.
Outro número bastante impactante é aquele em que Copperfield é cortado ao meio por uma motoserra. Ao contrário dos mágicos tradicionais, que fazem o truque dentro de uma caixa, Copperfield é serrado sem nada o envolvendo, apenas deitado em cima de uma mesa. Quando as duas partes de seu corpo são separadas pelos assistentes, a ilusão é perfeita. De um lado do palco estão a cabeça e o tronco do mágico; do outro, suas pernas. Irreverência das irreverências, Copperfield faz cara de tédio e chega ao cúmulo de coçar o tornozelo direito com o dedão do pé esquerdo, ante o olhar de espanto da platéia.
Aplausos do mago O espetáculo é composto de 12 números. No último, o mágico fez nevar no Metropolitan. ‘‘É deslumbrante, devolve a criança que existe em todos nós’’, afirmou o mago Paulo Coelho, também na platéia. Embora costume dizer que é capaz de fazer chover, Coelho limitou-se a sorrir quando perguntado se conseguia fazer nevar também. Entre os números grandiosos, Copperfield ainda apresenta um em que passa por um ventilador em movimento e diversos em que desaparece para reaparecer nos lugares mais inusitados. O mágico apresenta também truques mais intimistas, mas não menos impressionantes, como entrelaçar anéis de várias moças da platéia e mover uma bolinha de papel à distância.
Com a ajuda de um intérprete, Copperfield conversou com o público durante todo o espetáculo, contou histórias, circulou entre as mesas e, por diversas vezes, pediu a colaboração de pessoas da platéia para executar os números. Como costuma fazer em suas turnês pelos mais diversos países, o mágico falou diversas palavras na língua local, angariando simpatia e risos, especialmente ao puxar um corinho com o mais recente grito de guerra das torcidas de futebol: ‘‘Ah, eu tô maluco’’. Sonhos e Pesadelos estréia no Ibirapuera, em São Paulo, no próximo dia 10.

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