Um vôo alto na carreira
Ela é a única mulher do sul do Brasil a ocupar um dos mais altos cargos da empresa em que trabalha: a superintendência da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), em Londrina. A sul-mato-grossense Rosemaire Malhorquim Ferreira Corrêa está na carreira há 23 anos. Sua função é cuidar da administração geral do aeroporto local, tendo sob sua supervisão 70 funcionários diretos e uma comunidade aeroportuária de 450 pessoas.
''É uma responsabilidade grande. O trabalho está inserido num cenário que faz interface com empresas aéreas, lojistas e que compõe uma regional de 11 aeroportos vinculados a Porto Alegre'', diz. ''Mas não vejo nada difícil no que faço. Às vezes encontro situações mal resolvidas, que requerem soluções''.
Rosemaire está em Londrina desde 2001, mas antes trabalhou em cidades distantes do Norte do Brasil. Depois de atuar por vários anos como colunista social de um jornal de Corumbá (MS), em 1979 ela foi admitida como assistente da superintendência da Infraero. Quatro anos depois, passou a chefe de seção e, em 1989, foi a quinta colocada no curso de formação para superintendência.
Designada para trabalhar em Tabatinga, no Amazonas, ficou no cargo até 1998. Nessa época, enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua vida. Ela perdeu o filho, do primeiro casamento, que foi sequestrado e morto aos 22 anos. O rapaz deixou uma filha e a mulher, grávida.
No final da década de 90, Rosemaire foi transferida para Cruzeiro do Sul, no Acre, onde permaneceu até 2001. Ela estava decidida a ingressar num plano de demissão voluntária por causa da distância que a separava da família. ''A diretoria me ofereceu três opções de trabalho no Sul. Em abril de 2001 vim para Londrina''.
Casada com um oficial de reserva da Marinha que mora no Rio Grande do Sul, ela vive em Londrina com a filha de oito anos e uma das netas. ''A gente vê a família nas férias'', conta. ''A saudade está presente sempre, a distância não é fácil, mas no meu tipo de trabalho não sobra muito tempo para pensar nisso. Na época em que perdi meu filho obtive licença, mas preferi trabalhar. Encontrei força em Deus, foi o que me deu coragem para aguentar''.
Para Rosemaire, a escolha por Londrina foi acertada. ''Nunca fui de me apegar a nenhuma região. Já Londrina me conquistou de coração. Gosto desse estilo de cidade, com pessoas amigáveis''. Em julho, ela toma posse como presidente do Rotary Club Londrina Cinquentenário.(J.S.)





