Um violonista plugado na tomada
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domingo, 10 de novembro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Quem aprecia música instrumental brasileira, não tem do que se queixar em Londrina. A temporada anda pródiga em shows, concertos e workshops. Grandes nomes estão passando pela cidade neste final de ano, estimulando inclusive apresentações de grupos e artistas locais do gênero. O violonista e compositor paulista Ulisses Rocha, 42 anos, é a atração da vez.
Ele é o convidado de hoje da série ''Concertos Matinais'', que prevê uma apresentação musical gratuita por mês, sempre numa manhã de domingo. Ulisses Rocha se apresenta às 10h30 no Teatro do Hotel Crystal Palace (Rua Quintino Bocaiúva, 15). Na última sexta-feira tocou no show de abertura da banda holandesa Focus, fazendo uma participação especial no set do grupo Violeta de Outono.
Dono de um currículo respeitável, o músico figura na ficha técnica de discos e shows de artistas do porte de Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal, Roberto Carlos, Cesar Camargo Mariano, Gal Costa, Toquinho, Marco Pereira e Boca Livre. Conquistou prestígio como membro do D'Alma, trio de violões que renovou a linguagem do instrumento nos anos 80 inspirando a formação do lendário ''super-trio'', como ficou conhecido o grupo constituído por Al di Meola, Paco de Lucia e John MacLaughlin.
Mais tarde, fez parte do grupo Prisma, a convite de Cesar Camargo Mariano. Como artista-solo, participou de diversos festivais e gravou 7 discos sendo indicado duas vezes para o Prêmio Sharp nas categorias de melhor música instrumental e melhor solista. Seu último álbum é ''Acustic Lounge Café'', lançado no começo desse ano. Atualmente, está em fase de gravação de um novo trabalho, onde interpreta hinos nacionais de países latino-americanos.
Mas engana-se quem imaginar algo ufanista ou convencional. Na execução do Hino Nacional Brasileiro, por exemplo, ele convidou o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, para tocar a seu lado. Já no disco anterior, ''Album'' (2000), o músico radicalizou a veia ''rock'' reinterpretando clássicos dos Rolling Stones (''Satisfaction''), Led Zeppelin (''Stairway to Heaven''), Pink Floyd (''Us and Them''), Police (''Walking on the Moon''), Focus (''Hocus Pocus'') e de outras bandas famosas.
Não é para menos que Ulisses é detestado pelos tradicionalistas. Além de postular uma linguagem híbrida, fruto de influências do rock e do jazz, ele incorporou a tecnologia MIDI a seu instrumento sendo o primeiro solista brasileiro a trabalhar com o recurso nas gravações e em shows. O sistema converte o sinal acústico em digital permitindo ao violão extrair o som de teclados.
''Com o MIDI, o violão muda completamente sua função na execução musical'' explicou ele numa entrevista à Folha de Londrina, três anos atrás. ''Numa banda, por exemplo, ele deixa de ser um mero recurso de timbre para rivalizar em primeiro plano com a guitarra. No meu caso, quando preciso de um arranjo mais pesado, já posso dispensar o acompanhamento de um tecladista. O problema é que a classe dos violonistas é muito preconceituosa, purista e quer manter o som acústico a qualquer preço. O que não é o meu caso, que sempre tive fascínio por tudo o que é ligado na tomada''.
Paralelamente à carreira artística, o violonista exerce a docência na Faculdade de Música da Unicamp, além de atuar na área de produção de jingles publicitários. A série ''Concertos Matinais'' é um projeto de extensão da UEL que conta com o patrocínio do Consórcio União, através da Legislação Municipal de Incentivo à Cultura. É coordenado pela professora e pianista Magali Kleber, docente do Departamento de Arte da UEL. A entrada é franca.
Serviço:
Hoje: Concertos Matinais com o violonista Ulisses Rocha. Local: Teatro do Hotel Crystal Palace (Rua Quintino Bocaiúva, 15). Horário: 10h30. Entrada franca.


