Quem o vê de longe não dá muita importância. De baixa estatura e falar embaralhado, o violonista, professor, jornalista e compositor paulista Walter Lopes, aos 48 anos, tornou-se um músico internacional. Por muito tempo ele lecionou em Ibiporã e Londrina, onde estudou no Conservatório Musical Carlos Gomes, de 1976 a 1979. Participou de vários concursos nacionais e internacionais, se apresentando ao lado de renomados músicos, em uma lista que inclui Jácomo Bartoloni, Léo Soares, Turíbio Santos, Jaime Zenamon, Gabriela Pomposa, Eduardo Fernández, Julian Bizanthyne, Robert Brightmore, Henrique Belloc, Wong Kin Wai, Alírio Diaz, Abel Carlevaro e Alberto Ponce entre outros.
Em 1986, entretanto, Lopes largou suas atividades no País para iniciar o curso de especialização e interpretação de música portuguesa contemporânea, no Conservatório Nacional de Lisboa, na classe do professor e compositor Lopes e Silva. De lá pra cá, passou a participar de seminários e conferências relacionadas a temas culturais de literatura, história, língua estrangeira, música e arte em geral. Escreveu artigos sobre música em diversos jornais portugueses, além de atuar como fotógrafo da Embaixada Brasileira em Lisboa.
Lopes costuma dizer que seu trabalho tem três facetas: uma pedagógica, outra como produtor artístico e a última voltada à investigação científica. ''Eu gosto de dedicar a minha vida totalmente à cultura. Em face da mediocridade dos nossos dias, é uma das poucas coisas que resta'', define-se.
Em Portugal, Lopes leciona na Escola Profissional de Música, Artes e Novas Tecnologias, no Conservatório Regional de Almada. Também realiza um trabalho de investigação científica desde 1990 sob o tema ''Organologia - estudos Tradicionais do Oriente'', com apoio da Fundação para a Cooperação e o Desenvolvimento de Macau, Missão de Macau e Fundação Casa de Macau. Apesar dessa estreita ligação com a cultura chinesa, Lopes é descendente de indígenas.
Como produtor artístico, ele é responsável pela programação musical da Companhia de Teatro de Almada, integrada ao Festival Internacional de Teatro de Portugal. Seu último trabalho foi a produção musical da montagem ''Mãe Coragem e Seus Filhos'', de Bertolt Brecht, encenada de dezembro de 2000 a fevereiro de 2001. Desde 1993, ele também organiza espetáculos, concertos, audições e recitais, como a série ''Concertos das 7h às 9h'', no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Em 1998, por exemplo, ele foi o responsável por preparar um grupo de músicos lisboeta para se apresentar junto ao Madredeus.
Outra função importante de seu trabalho, ele acredita, é a valorização da música popular e erudita brasileira, tanto em apresentações como na sala de aula, transmitindo a sua paixão por compositores que considera essenciais como Heitor Villa-Lobos, Pixinguinha, Tom Jobim, Ernesto Nazareth, Zequinha de Abreu e Martos Nobre.
Ele esteve em Londrina e Ibiporã nos últimos dias para descansar - ''Venho de dois em dois anos quando posso, mas pretendo me fixar na Europa. Eles valorizam muito mais nosso trabalho lá'', avalia. No último sábado, por exemplo, ele teria de estar em Lisboa para a abertura da 2ª temporada da série ''Noite de jazz'', no Café Concerto, que deve prosseguir até novembro. Quando ele volta? ''Em 2003. Pretendo fazer uma série de apresentações em São Paulo, Paraná e outros estados. Mostrar tudo o que estou fazendo'', o que representará concertos longos, já que o leque musical de Walter Lopes parece se ''reduzir'' ao tamanho do mundo.

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