Richard Seabra, 36 anos, tornou-se uma viajante no espaço. Fincou bandeira em diversas metrópoles, como Washington, Brasília e Amsterdã. Esses espaços urbanos influenciaram a estética e o modo de ver o mundo de Richard, que é natural de Washington. A concepção estética do designer ultrapassa as barreiras estáticas das artes plásticas e ganha movimento. ‘‘Mas faço a obra e ela se separa de mim’’, avalia. Uma pontinha de inveja desponta quando vê um bailarino, que tem a oportunidade de ser a obra.
Um dos exemplos da mobilidade visual na obra de Seabra são as esculturas de cerâmicas torneadas instaladas em formigueiros gigantes, comuns no cerrado brasileiro. As formigas incorporaram a escultura ao formigueiro crescendo verticalmente sob o jugo das formas da escultura. Daqui a 50 anos, quando o formigueiro cumprir sua função existencial, e a rainha morrer levando toda a colônia à finitude, se encerrará todo o processo artístico proposto por Richard Seabra com as formas sinuosas da cerâmica.
Ele morava em Brasília na época do golpe de Fernando Collor, e acabou engrossando as fileiras da diáspora brasileira. Aportou em Nova York, retocando fotos glamourizadas para a Miramax Films. Os cartazes mais conhecidos de Seabra são dos filmes Pulp Fiction e O Piano. O trabalho que requeria pouca criatividade o impulsionou a buscar outros espaços, acabou desembarcando na Holanda, onde reside e desenvolve seu projeto de Mestrado na Academia de Design Industrial de Einhoven. (F.F.)

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