Um verdadeiro petardo sonoro
Se depender dos ingleses do Deep Purple, o rock-n-roll não vai morrer tão cedo. Abandon, novo disco da banda, lançado pela gravadora EMI, é um verdadeiro petardo sonoro. O mais recente álbum do grupo que escreveu o nome na história musical com clássicos como Black Night, Smoke On The Water e Highway Star traz 12 faixas que mostram que a banda está em plena forma, mesmo após 30 anos de estrada. Abandon mescla funk, blues, jazz e baladas com os elementos do rock progressivo dos anos 70: guitarras que conseguem ser melódicas mesmo distorcidas, bateria pesadas com variações rítmicas e vocais gritados sem chegar a ser guturais.
Este é o segundo álbum do Deep Purple em estúdio com Ian Gillan nos vocais, Steve Morse na guitarra, Jon Lord no órgão e teclados, Roger Glover no baixo e Ian Paice na bateria. O disco foi gravado em Orlando, no mesmo estúdio onde dois anos antes a banda havia feito Purpendicular, que marcou a estréia do virtuose Steve Morse. O guitarrista entrou para substituir o lendário Ritchie Blackmore - que saiu da banda em 1992 por brigas com o vocalista Ian Gillan - e dá um show à parte no CD. Steve consegue fazer solos de extremo bom gosto, aliando técnica apurada e improviso criativo. Na faixa Any Fule Kno That, que abre o CD, o guitarrista apresenta um riff poderoso e um solo arrasador.
Mas, na verdade, todos os integrantes do Deep Purple mostram uma grande habilidade para tocar estilos diferentes. Jon Lord faz um solo brilhante na faixa Jack Ruby e Ian Pace tem uma destreza fora do comum para bateristas de rock ao tocar o jazz Seventh Heaven. Roger Glover também prova que é eclético, pois consegue se adequar a várias linguagens, como no blues Dont Make Me Happy. A linha de baixo desta faixa poderia ter saído de qualquer disco de bluseiros tradicionais como Muddy Waters e John Lee Hocker. E Ian Gillan continua com a voz tão grave quanto em 1970, quando chamou a atenção ao gravar Deep Purple In Rock com a banda e se tornou um dos vocalistas mais influentes dos anos 70.
No entanto, o que mais chama a atenção em Abandon é o entrosamento dos músicos. A sincronia dos arranjos e a maneira com que estabelecem a execução de cada instrumento deixa a sensação de que cada músico toca em função do outro. Não existem solos excessivos ou um instrumento que se destaque. Além de anos de estrada tocando juntos, a turnê mundial que a banda realizou no ano passado evidentemente ajudou o Deep Purple a se tornar uma espécie de monolito musical. Apesar de Abandon não chegar a atingir o nível dos melhores discos do Deep Purple - como Fireball e Burn - o álbum supera muitos discos de bandas famosas atuais, como Oasis, Green Day e Smashing Pumpkins.DivulgaçãoDeep Purple: o que mais chama a atenção em Abandon é o entrosamento dos músicosRodrigo Teixeira
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