Um vampiro em cena
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quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Ana Francisca Ponzio Agência Folha 
DivulgaçãoO Vampiro e a Polaquinha se baseia em 11 contos escritos por Dalton TrevisanA Mostra Sesi de Artes Cênicas comemora o sucesso, inaugurando hoje sua terceira edição. Mais uma vez, o evento permite ao público de São Paulo assistir a espetáculos encenados em outras regiões do Brasil. Com ingressos gratuitos, a mostra traz neste ano três peças teatrais e um espetáculo de dança, que representam a produção de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Ceará.
De Belo Horizonte, vem a superprodução Hilda Furacão, uma adaptação teatral do romance homônimo de Roberto Drummond, dirigida por Marcelo Andrade. Com Mariane Vicentini no papel-título, Hilda Furacão revive a história de uma jovem e bela mulher, que estimulou a imaginação da sociedade mineira nos anos 50. Descendente de uma família de classe média, a personagem escandaliza Belo Horizonte quando resolve se prostituir, vivendo mais tarde as ambivalências de uma paixão proibida por um padre. Misto de teatro e musical, Hilda Furacão reúne atores e bailarinos. Com coreografia de Renato Vieira, tem trilha sonora de Marcus Viana e iluminação do competente Maneco Quinderé.
A segunda atração da mostra é o elogiado musical carioca Cafona, Sim, e Daí?, com texto e direção de Sérgio Brito. Num divertido tributo ao mau gosto e à cafonice presentes principalmente na música popular brasileira, rememora cerca de 50 canções - entre elas A Galeria do Amor, de Agnaldo Timóteo -, que acabam estabelecendo uma crítica à breguice generalizada.
Do Paraná Em sua programação deste ano, a mostra proporciona ainda a chance de ver O Vampiro e a Polaquinha, última produção teatral concebida pelo diretor Ademar Guerra, que morreu no início de 1993, quatro meses após a estréia do espetáculo, em Curitiba.
Há cinco anos em cartaz, O Vampiro e a Polaquinha se baseia em 11 contos escritos por Dalton Trevisan. As histórias, situadas nos anos 40, mostram amores perversos e reprimidos, que expressam o misto de comédia e tragédia da existência humana.
Com a morte de Ademar Guerra, a direção da peça foi assumida por Regina Bastos, assistente do diretor na época da montagem. Certamente o espetáculo mais importante da Mostra Sesi, O Vampiro e a Polaquinha encena os contos na forma literária, sem adaptação, conforme exigiu Trevisan.
Os espetáculos acontecem de quarta a sexta, às 20h30; sábado e domingo, às 17h e 20h30. O Teatro Popular do Sesi fica na Alameda Santos, 1336-A,
região central de São Paulo. A entrada é franca e os ingressos são distribuídos uma hora antes do espetáculo.


