Roberto Benigni é ‘‘O Monstro’’: para rir a valerUma reprise como a comédia italiana ‘‘O Monstro’’( 1994) é sempre bem-vinda, ainda mais quando o diretor e protagonista é o hilário Roberto Benigni. Quem já viu Benigni em pastelões como ‘‘O Pequeno Diabo’’ e ‘‘Johnny Stecchino’’ pode ter uma base do que esse comediante, que bebe na fonte do diretor Mario Monicelli (‘‘Parente é Serpente’’), é capaz de fazer durante os curtos minutos de uma produção.
A história de ‘‘O Monstro’’ é simples e serve apenas como deixa para o ator fazer todas as trabalhadas que desenvolveu ao longo da carreira. Como muitos de seus personagens, neste filme Benigni é o desempregado, meio vagabundo, que vive de bicos e pequenos furtos e que tem como única atividade séria frequentar aulas de chinês para tentar um emprego na Embaixada. A polícia da cidade está à caça de um ‘‘serial killer’’ que abusa sexualmente das mulheres e depois às mata de forma violenta.
Um dia, após uma série de trabalhadas nosso personagem é confundido com o tarado e, sem perceber, passa a ser perseguido pela polícia. O Departamento de Investigação destaca uma policial gostosona para seguir e tentar incriminar o monstro. Com menos dificuldade do que imaginava ela consegue se infiltrar em seu apartamento convidada para rachar as despesas do aluguel. A partir daí o filme se transforma numa antológica coleção de piadas que começam, por exemplo, com um simples defeito na janela.
A policial tem que seduzir o monstro para que ele a ataque e o flagrante seja consumado. Aconselhado por um amigo a não ceder, ele se enrola numa situação complicada pois a moça não perde tempo. São engraçadíssimas as cenas nas quais a garota se insinua - ela chega ao cúmulo de se exibir apenas com as roupas de baixo, enquanto o monstro fala de números e inflação.
Cansada e impressionada com a relutância do personagem, ela se convece de que não trata-se do monstro. A narração ainda envolve um psiquiatra obcecado por maníacos e ‘‘inventor’’ da personalidade doentia do monstro e o professor de chinês, que pode ser a chave de todo o mistério.
O filme mostra o talento de Benigni para o pastelão tão ingênuo quanto um Jerry Lewis e tão antenado à atualidade quanto Monicelli. As trapalhadas são tão baseadas no cotidiano que poderiam acontecer com qualquer pessoa mais desligada. Para assistir, rir muito e gravar. Às 23 no Telecine.

mockup