Um transgressor vanguardista
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quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Um dos artistas mais inventivos do País, Hélio Oiticica (1937-1980) é tema de um documentário homônimo que será mostrado hoje no 16º Festival Kinoarte de Cinema de Londrina. O filme, dirigido por Cesar Oiticica Filho, sobrinho de Hélio, é a atração das 19h30 na Sala Cinesystem do Londrina Norte Shopping. Os ingressos custam R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia).
A produção conta a trajetória do criador do "Parangolé" através de fitas K7 gravadas pelo próprio homenageado entre as décadas de 1960 e 1970. Reconstitui a fase de inquietações do artista, quando ele buscava transgredir padrões estabelecidos nas artes plásticas ao tirar o espectador do papel passivo estimulando-o a "participar" da obra.
É dessa época a criação do Parangolé, uma mistura de capa, bandeira e estandarte cuja realização estética só se dava ao ser colocada em movimento, ao ser "vestida" pelo espectador. Só assim a peça revelava plenamente suas cores, formas, texturas e até textos com mensagens do tipo "Estou possuído" ou "Incorporo a revolta".
Em 1965, ao apresentar os Parangolés vestidos por passistas da Mangueira na mostra "Opinião 65", foi expulso do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o que acentuou seu interesse em desenvolver uma arte inseparável de questões sociais. Outra invenção de Oiticica foi o penetrável "Tropicália", que inspirou o nome e as propostas do movimento musical desencadeado em 1967 pela turma de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
A peça consistia em uma instalação que tinha como pré-requisito a incursão do visitante ou seja, os ambientes coloridos só funcionavam com a presença do espectador. Enfim, o filme que os londrinenses terão oportunidade de assistir remonta a um período em que a transgressão vanguardista e a utopia ainda pulsavam nas artes brasileiras. Após a sessão, haverá um debate com presença do diretor.
A programação de hoje traz também o longa nacional "Depois da Chuva" (2013), de Cláudio Marques e Marília Hughes, que retrata o movimento pelas eleições diretas no Brasil em 1984. O filme, cuja história é ambientada em Salvador (BA), será a atração das 10h do 9º Seminário de Cinema Contemporâneo, que está sendo realizado no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA), no campus da UEL. A entrada é gratuita.
A Sala Cinesystem exibe ainda a animação "Minhocas" (2013), de Paolo Conti e Arthur Nunes, às 13h30 e 15h30, e o longa "A História da Eternidade" (2014), do pernambucano Camilo Cavalcanti, com sessão às 22 horas e ingressos a R$ 12 e R$ 6 (meia-entrada).
Este último conta três histórias de amor em um vilarejo do sertão nordestino. Em uma delas, um artista (Irandhir Santos) ajuda a sobrinha (Debora Ingrid) a ver o mar pela primeira vez. A segunda narrativa mostra a descoberta da paixão entre uma viúva (Marcélia Cartaxo) e o cego do vilarejo. O terceiro conto, por fim, trata da relação entre uma avó (Zezita Matos) e seu neto. O longa foi o grande vencedor do 6º Paulínia Film Festival, em julho passado, conquistando prêmios na categorias melhor filme, diretor, ator (Irandhir Santos), atriz (Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e Debora Ingrid) e o prêmio da crítica (Júri Abraccine).
A programação completa do festival está disponível no site www.festivaiskinoarte.org.


