ReproduçãoCena de ‘‘‘Anna Karenina’’: romance de Tolstoi é incansavelmente filmadoAs imposições do mercado exibidor, os hábitos de platéias em constante mutação, a necessidade de oferecer produtos cinematográficos na linha fast food, sempre e mais descartáveis: escolha uma dessas alternativas ou todas elas e está parcialmente explicado o ‘‘imbróglio’’ que é este ‘‘Anna Karenina’’ (em exibição em Londrina, no Cine Catuaí 2, e em Curitiba no Cine Rivoli).
A intriga que permeia as mil e poucas páginas do formidável romance foi apresentada ao mundo de maneira fulminante por ninguém menos que o próprio autor da façanha, Leon Tolstoi, em 1877. Para ele, ‘‘é a história de uma mulher casada que se apaixona por um oficial e se suicida’’. Se levasse em conta tão singela e didática definição, o roteirista-dialoguista-diretor Bernard Rose (‘‘Minha Amada Imortal’’, ‘‘O Mistério de Candyman’’) poderia ter feito um filme mais sincero e humilde, e portanto mais convincente. Perdido pela ambição de comprimir em uma hora e quarenta e cinco minutos a exuberante tragédia romântica que transborda das páginas de um dos mamutes da literatura universal, Rose foi com tamanha sede ao pote que se esqueceu de fornecer necessária densidade dramática à dupla de personagens centrais, Anna e Vronsky, afinal meros e perecíveis coadjuvantes neste amplo mas superficial sobrevôo sobre os costumes da alta aristocracia czarista e pré-revolucionária do fim do século 19.
Tudo no filme é de uma beleza tão cativante quanto enganosa. Os cenários são belos, os vestidos exuberantes. Não fosse por São Petersburgo, até se poderia pensar numa suave adaptação de Jane Austen para a televisão inglesa, tal a correção de móveis e utensílios. O problema, de fato, é a emoção maltratada, secundária, quase desprezada em nome da agitada grandiloquência visual e sonora - a batuta de Sir Georg Solti inunda a tela com os popularescos movimentos produzidos pela elite musical russa do período, leia-se Tchaikovsky.
Outra questão crucial fragiliza ainda mais esta versão de ‘‘Anna Karenina’’. O que se discute é o ‘‘miscasting’’, isto é, a equivocada escalação de Sean Bean para o papel do capitão Vronski, incapaz de criar no torturado personagem as nuances mínimas requeridas. Quanto à Sophie Marceau, é preciso coragem para compor uma heroína que já teve os traços e o talento de Greta Garbo (duas vezes: 27 e 35), Vivien Leigh (48) e de Anastasia Vertinskaia (68). De impecável presença, a resplandescente atriz francesa consegue delinear um par de razões que afinal acabam valendo o preço do ingresso: está em plena maturação profissional e justamente por isso busca sozinha a evolução psicológica de Anna. Como prêmio de consolação para o espectador, fica a impressão de que pelo menos ela é o instrumento ideal para se encontrar a alma russa. O que de resto, em se tratando de Tolstoi, é o mínimo que se deseja.
Roqueiro sedutorEle está nas locadoras em fitas com shows de sua banda e num longa-metragem de estréia, uma comédia meio indecisa entre comédia e drama, ao lado da impronunciável Gwineth Paltrow. Ele é Jon Bon Jovi, roqueiro boa pinta no momento decidido a investir na carreira solo, mas agora como ator. Seu veículo da hora é ‘‘O Sedutor’’ (em exibição no Cine Catuaí 3, em Londrina), em que exercita a vocação de galã conquistador. Na Inglaterra para trabalhar em montagem teatral, um ator de Hollywood (o próprio Jovi) acaba se envolvendo com a esposa e a amante do autor da peça, também atriz da montagem. As duas mulheres são Anna Galiena e Thandie Newton. Quem dirige esta comédia dramática inglesa é o australiano John Duigan, já conhecido depois do envolvente ‘‘Sereias’’, com Hugh Grant.

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