Um Tornatore menor
O problema com muitos autores italianos é o de não limitar-se apenas ao trabalho atrás da câmera. Emblemático é caso de Giuseppe Tornatore, um dos diretores europeus de maior talento se se limitasse a filmar histórias escritas por roteiristas profissionais. Depois do Oscar obtido por ''Cinema Paradiso'', ele sempre recusou as ofertas de parceria, inclusive hollywoodianas, na escritura das obras. Preferiu uma carreira menos feérica, mas com certeza para ele mais estimulante do ponto de vista artístico. Mas com resultado duvidosos, como este ''A Desconhecida'', em lançamento hoje na cidade (confira a programação de cinema na página 2).
Numa pequena cidade provinciana próxima a Treviso, aparece de repente a jovem Irina (a ótima Ksenia Rappaport), ucraniana de passado duvidoso. Ela encontra trabalho como doméstica em casa de família rica. Com Tea, a filha menor dos patrões, Irina constrói sólido laço afetivo. Ela, porém, esconde segredo inconfessável que continua a ameaçar o precário equilíbrio de sua vida.
Auxiliado pela música aqui exasperada de um Morricone evocando Bernard Herrman, o diretor sem dúvida cria atmosfera de tensão alternando passado e presente da protagonista. Mas o problema são algumas incongruências na narrativa e discrepâncias de gêneros, levando ''A Desconhecida'' para o terreno do maneirismo e aprisionando o espectador num processo estéril de violência perturbadora. O que poderia ser um thriller eficiente acaba se transformando numa espécie de tragédia grega pouco convincente. (C.E.L.J.)





