Um toque de transgressão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de junho de 2006
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A transgressão passa por debaixo da escada escura da moralidade no espetáculo Toca-me lá dentro agora. Enquanto muitos lutam e até matam e morrem, tentando se manter no topo desses degraus, os alunos do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na única apresentação no FILO hoje, às 21 horas, na Casa de Cultura (Rua Mato Grosso, 537), descem vagarosamente esses lances.
O elenco não faz a descida sozinho, mas segura nas mãos da obra da escritora paulista Hilda Hilst (1930-2004), que como a personagem de seu livro A Obscena Senhora D, se coloca no vão da escada na criação coletiva do elenco formado por Andréia Paris, Bárbara Di Gennaro, Carolina Alvim e Daniel Gines.
No espetáculo aparecem outros fragmentos de textos da autora, entre os quais O Caderno Rosa de Lori Lamb e Cartas de um Sedutor, que compõem a trilogia erótico-pornográfica de Hilst, assumidamente de uma força plástica, que se debate na violência de personagens impotentes. A direção é de Adriane Gomes e Camilo Scandolara.
Nesses fragmentos, a criação coletiva também colou textos do escritor americano, Allen Ginsberg (1926), o maior expoente da literatura beat, que chegou a ser expulso de Cuba por ser homossexual e que viveu a transgressão poética em todo o seu lirismo.
Serviço:
- Toca-me lá dentro agora. Elenco: Andréia Paris, Bárbara Di Gennaro, Carolina Alvim e Daniel Gines. Direção: Adriane Gomes e Camilo Scandolara. Figurinos: Adriane Gomes e Aline Benites. Iluminação: Camilo Scandolara, Dado Pires e Luís Fernando Lopes. Duração: 45 minutos.


