Um toque a mais de criatividade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de abril de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba A artista plástica Regina Facco dá nova dimensão ao papel-machê e mostra que a técnica milenar vai além do aprendizado em aulas de educação artística e do artesanato pouco requintado. Regina trabalha com o reaproveitamento do papel há 15 anos. Nesse período desenvolveu objetos e produtos que vão desde simples e pequenos botões a bolsas, caixas e máscaras decorativas. Para a artista gaúcha radicada em Curitiba, o papel-machê vai além do trabalho lúdico. ''É uma possibilidade de resgatar o cuidado com o ambiente e também um alternativa de renda'', diz.
Na próxima semana, Regina vai ministrar um curso sobre a técnica em Curitiba, com duração de três meses. As inscrições já estão abertas. O curso ensina como fabricar a pasta de papel que dá origem ao papel-machê. São diversas técnicas com aproveitamentos variados, como recobrir papelão, vidro, objetos e até criar novos produtos decorativos ou utilitários. ''O papel-machê não precisa ficar só na esfera do artesanato'', ensina Regina.
Ela aprendeu a técnica ainda na escola, quando criança, mas foi na faculdade que redescobriu o processo. A tese de monografia da artista, para o curso de Educação Artística da Faculdade de Artes do Paraná (FAP), ganhou o tema ''Papel Machê - Aproveitamento Plástico e Pedagógico''. ''Eu queria provar que a técnica não tem apenas uma conotação infantil, pode ser um material requintado, bem trabalhado'', diz.
Para Regina, ao trabalhar com papel-machê, as pessoas passam a reeducar o olhar, a aproveitar melhor os objetos e a dar importância a reciclagem do lixo. ''Nosso mundo é muito rápido e jogamos muita coisa fora. O papel-machê é uma forma de reutilizar esse material'', observa.
O papel-machê é uma pasta feita com papel reciclado, que se obtém depois da desintegração das fibras de celulose (o que acontece depois que o papel fica de molho na água por, pelo menos, 24 horas). O papel desintegrado é batido no liquidificador, ganha adição de algum amido e cola para depois ser modelado, como uma ''massa''. A técnica também é utilizada a partir colagem de várias camadas de papel picado em algum objeto mais resistente.
SERVIÇO
O curso de papel-machê será ministrado todas às segundas-feiras à noite a partir do próximo dia 7, no Estúdio de Arte Oscar Pedroso (Rua Visconde do Rio Branco, 408), em Curitiba. Informações e inscrições pelo telefone (41) 222 1283.


