Um teatro chamado Paulo Autran
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quarta-feira, 25 de novembro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Dia 13 de dezembro Paulo Autran completa 49 anos dedicados ao teatro. Vida tão longa teve como resposta o merecido aplauso, mas o reconhecimento vai além: na segunda-feira, Autran inaugurou uma nova sala em Curitiba, no Shopping Novo Batel, batizada com seu nome. O ator divide a homenagem:
- É importante para mim ter um teatro com meu nome, mas é também importante para os artistas, que têm um espaço a mais onde trabalhar, e especialmente para o público.
Quadrante, a montagem de bolso que ele carrega por toda parte, oficializou a abertura da nova casa. Gosto muito de fazer este show; a platéia ri muito, disse pela milésima vez, desde que começou a levar ao palco a teatralização de textos literários brasileiros.
A encenação levada em Curitiba na segunda, foi mostrada aos paulistanos na terça. Estará em Miami nos dois primeiros dias de dezembro. Após as festas de final de ano, Autran entrega-se à direção de Mauro Rasi, que pretende estrear em março a peça O Crime do Doutor Alvarenga. Mantendo a tradição, a cidade de Bauru (SP) será a primeira a aplaudir o novo trabalho de Rasi.
Assim como em Pérola (ainda em cartaz e até agora o seu maior sucesso) o dramaturgo prestava uma homenagem à sua mãe, Pérola, que queria uma piscina no quintal de casa, na próxima montagem o pai é quem ocupa o posto principal. O papel foi entregue a Paulo Autran.
Depois de três novelas - Pai Herói, Guerra dos Sexos e Sassaricando - e rasgadas confissões de contrariedade, o ator jura de pé junto que nunca mais fará novelas. Nunca mais mesmo, porque depois de tantas declarações ainda assim se rendeu ao convite de Sassaricando. Aceitou fazer a minissérie Hilda Furacão porque garantiram que duraria três meses. Foram seis.
Precavido, estará na tela da TV Globo num episódio de Você Decide. O Tesouro da Juventude não poderá passar dos seis dias de gravações, conforme o previsto. Ficar oito meses fazendo novela é a maior chatice. Perda de tempo absoluta, decreta.
No cinema espera trabalhar em Enquanto a Morte não Chega, adaptação de um romance de Josué Guimarães. Encabeçando o elenco estarão Autran, Leonardo Villar e Carmen Silva. O convite foi feito, agora é esperar que a crise não detone os planos.
Por falar em crise, ela não atingiu o teatro, afirma o artista. Há sucessos estrondosos acontecendo no Rio de Janeiro e em São Paulo, como As Domésticas, de Renata Mello, o último espetáculo a que ele assistiu na capital paulista. Deslumbrante!, diz extasiado.
Também não acha que a cena brasileira esteja fora dos trilhos, como imagina seu colega Gianfrancesco Guarnieri. Num momento em que Flávio de Souza, Mauro Rasi, Adelaide Amaral, Juca de Oliveira e outros mais fazem sucesso no palco, pode o mundo estar perdido, menos a dramaturgia brasileira, encerra.


