Dia 13 de dezembro Paulo Autran completa 49 anos dedicados ao teatro. Vida tão longa teve como resposta o merecido aplauso, mas o reconhecimento vai além: na segunda-feira, Autran inaugurou uma nova sala em Curitiba, no Shopping Novo Batel, batizada com seu nome. O ator divide a homenagem:
- É importante para mim ter um teatro com meu nome, mas é também importante para os artistas, que têm um espaço a mais onde trabalhar, e especialmente para o público.
‘‘Quadrante’’, a montagem de bolso que ele carrega por toda parte, oficializou a abertura da nova casa. ‘‘Gosto muito de fazer este show; a platéia ri muito’’, disse pela milésima vez, desde que começou a levar ao palco a teatralização de textos literários brasileiros.
A encenação levada em Curitiba na segunda, foi mostrada aos paulistanos na terça. Estará em Miami nos dois primeiros dias de dezembro. Após as festas de final de ano, Autran entrega-se à direção de Mauro Rasi, que pretende estrear em março a peça ‘‘O Crime do Doutor Alvarenga’’. Mantendo a tradição, a cidade de Bauru (SP) será a primeira a aplaudir o novo trabalho de Rasi.
Assim como em ‘‘Pérola’’ (ainda em cartaz e até agora o seu maior sucesso) o dramaturgo prestava uma homenagem à sua mãe, Pérola, que queria uma piscina no quintal de casa, na próxima montagem o pai é quem ocupa o posto principal. O papel foi entregue a Paulo Autran.
Depois de três novelas - ‘‘Pai Herói’’, ‘‘Guerra dos Sexos’’ e ‘‘Sassaricando’’ - e rasgadas confissões de contrariedade, o ator jura de pé junto que nunca mais fará novelas. Nunca mais mesmo, porque depois de tantas declarações ainda assim se rendeu ao convite de ‘‘Sassaricando’’. Aceitou fazer a minissérie ‘‘Hilda Furacão’’ porque garantiram que duraria três meses. Foram seis.
Precavido, estará na tela da TV Globo num episódio de ‘‘Você Decide’’. ‘‘O Tesouro da Juventude’’ não poderá passar dos seis dias de gravações, conforme o previsto. ‘‘Ficar oito meses fazendo novela é a maior chatice. Perda de tempo absoluta’’, decreta.
No cinema espera trabalhar em ‘‘Enquanto a Morte não Chega’’, adaptação de um romance de Josué Guimarães. Encabeçando o elenco estarão Autran, Leonardo Villar e Carmen Silva. O convite foi feito, agora é esperar que a crise não detone os planos.
Por falar em crise, ela não atingiu o teatro, afirma o artista. Há sucessos estrondosos acontecendo no Rio de Janeiro e em São Paulo, como ‘‘As Domésticas’’, de Renata Mello, o último espetáculo a que ele assistiu na capital paulista. ‘‘Deslumbrante!’, diz extasiado.
Também não acha que a cena brasileira esteja fora dos trilhos, como imagina seu colega Gianfrancesco Guarnieri. ‘‘Num momento em que Flávio de Souza, Mauro Rasi, Adelaide Amaral, Juca de Oliveira e outros mais fazem sucesso no palco, pode o mundo estar perdido, menos a dramaturgia brasileira’’, encerra.

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