Há 27 anos desenvolvendo um olhar sensível sobre a velhice no campo das artes, a Casa das Fases estreia em Londrina, hoje, às 20 horas, a sua mais recente montagem - "Yolanda Calaboca" - , após apresentação bem-sucedida na Dinamarca, dentro do VII Transit Festival, promovido pelo consagrado Odin Teatret, de Eugenio Borba. A apresentação única faz parte da programação do Filo 2013 e acontece na sede do grupo, que comporta apenas 20 lugares. Os ingressos já estão esgotados.
Sempre em busca de uma nova abordagem dentro de um mesmo tema, que faz parte inevitável da evolução humana, o diretor João Henrique Bernardi conta que a montagem é fruto de uma série de fatores que aconteceram dentro do grupo e que trouxeram à tona o processo da solidão, a perda da memória e o Mal de Alzheimer.
"A personagem, que é fictícia, conta apenas uma parte do seu cotidiano e o tempo todo está lidando com suas lembranças e memórias, como uma criança que vai recriando sua história. É um espetáculo curto, de apenas 30 minutos, mas que é intenso na sua mensagem, ainda mais considerando a nossa proposta de apresentá-lo na sala da nossa sede, que é uma casa, em um ambiente bastante intimista, em que o espectador pode sentir o calor do ator", destaca Bernardi.
A performance é feita pela atriz Carmen Mattos, que integra há 18 anos o grupo, e também presta homenagem à atriz Jandira Testa, que faleceu há um ano e participou durante vários anos da Casa das Fases. Atualmente o grupo é composto por quatro atrizes.
E como o próprio título da peça sugere, a personagem Yolanda tem muito a dizer – e de certa forma chocar - como quando fala dos diversos abortos que cometeu. Nascida em 1930, filha única entre cinco homens, casou-se na década de 1950, sendo mãe no ano seguinte. A família era perfeita até que o menino da casa adoece e o marido perde a memória, some no mundo e, quando volta, falece. Aos 82 anos, Yolanda está sozinha e doente, mas fez coisas de calar a boca de todos.
"Há sempre um olhar novo dentro do velho, sempre está acontecendo algo novo dentro de cada um de nós e é preciso estar atento à vida para perceber isso. No caso mais específico das pessoas mais velhas, elas são vividas, espertas e já fizeram ‘teatro’ na vida", afirma o diretor.
O espetáculo "Yolanda Calaboca" entrará em temporada no mês de outubro, com 15 apresentações gratuitas programadas com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Reservas podem ser feitas pelo e-mail [email protected].(A.P.N.)

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