Um show que saiu da lata de lixo
Elis Vive é um CD que, literalmente, saiu da lata de lixo. A notícia foi dada em primeira mão pelo jornalista Mauro Dias, de O Estado de São Paulo, em 19 de fevereiro de 1997. A matéria foi capa do Caderno Dois e mereceu chamada na primeira página. O alvoroço da notícia não correspondeu à pouca - ou nenhuma - atenção que a gravadora WEA vem dando ao disco, finalmente lançado.
A história de Elis Vive é a seguinte: como se faz rotineiramente também o show de Elis Regina foi gravado, sem interesses maiores que o mero registro. A matriz foi parar no meio de tantas outras do acervo de shows do empresário Manoel Poladian.
Passados quase 20 anos, a empresa de Poladian estava mudando de endereço e no lote de fitas sem qualquer importância, constava aquela. Não tinha identificação. Com o intuito de reaproveitar algumas delas, um assistente de produção recolheu algumas e teve o cuidado de ouvir o conteúdo antes de desgravá-las. Atônito, descobriu o show de Elis.
Durante quase um ano os técnicos da Cia. de Áudio, empresa paulista especializada na recuperação de matrizes antigas, trabalharam sobre a gravação para dar a ela um padrão de qualidade. Os desafios não foram poucos: o registro era mono, a fita era de um quarto de polegada e tinha sido gravada em velocidade baixa. Some-se a tudo isso as marcas indeléveis do tempo.
De um trabalho quase artesanal até equipamentos sofisticados de última geração, tudo foi usado para dar o som estereofônico em Elis Vive, cujo projeto a princípio chamava-se Elis Inédito. Quisemos que o disco soasse como se Elis estivesse cantando hoje, disse Carlos Freitas, um dos sócios da Cia. de Áudio para o jornalista do Estadão.
A previsão em fevereiro de 1997 era de que o CD fosse lançado ainda no primeiro semestre como um dos trunfos fonográficos do ano, ainda segundo Mauro Dias. Enganou-se redondamente o jornalista porque o disco chegou timidamente às lojas no início de setembro último sem a mínima divulgação. Para se encontrar nas Lojas Americanas (Shopping Mueller), em Curitiba foi preciso o vendedor buscar no estoque, porque não estava em exposição nem no display. Pelo jeito a displicência da gravadora espalhou-se no varejo. (Z.C.L.)





