Antes de qualquer coisa, o ᑑAcústico’’ de Gal Costa, levado no início da madrugada de sábado, na Forum, em Curitiba, foi uma esteira de clássicos - sucessos na voz da cantora. Até o segundo bis, ‘‘Festa no Interior’’, tinha a sua marca. O seu estilo, como ela mesma disse na entrevista à Folha2.
Nem todas as canções surgiram para a luz do sucesso trazendo sua assinatura, até mesmo porque algumas delas nasceram antes. Gal ainda era Gracinha quando Chico Buarque emplacou ‘‘Quem Te Viu, Quem Te V꒒, ou quando os Demônios da Garoa levaram às paradas ‘‘Trem das Onze’’.
Mas foram parar nos microssulcos dos LPs e em CDs em épocas diferentes. Seja no volume dedicado a Chico ou na ‘‘Phono 73’’, uma loucura da PolyGram, que reuniu todo seu ‘‘cast’’ para gravar ao vivo em 1973, no auditório do Anhembi, em São Paulo.
Quando seguia do hotel para a Forum, Gal Costa comentou com duas amigas curitibanas que esperava, no máximo, 800 pessoas. Tinha praticamente o dobro. E muitos jovens que foram ali para conferir quem era a famosa Gal ao vivo, sem maiores perspectivas, saíram apaixonados. ‘‘Showzaço’’, disse um garoto. ‘‘Não esperava que fosse tão bom’’.
A platéia formada por um público diversificado uniu-se numa gostosa emoção do começo ao fim do espetáculo. Show descontraído e profissional - seja na iluminação, na marcação, no repertório. Gal comprovou aquilo que dissera na entrevista sobre sua tranquilidade no palco.
Mais solta, mais leve comunicou-se com a platéia sem que para isso precisasse usar de recursos ultrapassados como comentários e piadinhas. Ela estava ali para cantar; e é o que sabe fazer com competência. O som da Forum não é nota 10, mas até ele passou batido com a beleza do espetáculo. ‘‘Que geração rica é a nossa’’, disse uma balzaqueana. ‘‘Será que Carla Perez (do Tchan) um dia vai completar 30 anos de carreira rebolando?’’(Z.C.L.)

mockup