O músico, ator e apresentador Rolando Boldrin carrega a cultura interiorana brasileira na alma. Com mais de 50 anos de carreira artística, nunca traiu o sotaque, o jeito e o gosto pelo cancioneiro genuíno de raízes populares. No espetáculo que apresenta hoje em Londrina, ele canta e canta causos do homem comum da cidade e do campo.

O show faz parte do projeto ''Cara do Brasil'', patrocinado pela New Holland - com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura - e pela New Agro, concessionária New Holland em Londrina. A iniciativa envolve a realização de oficinas culturais para estudantes de ensino fundamental em escolas públicas. O roteiro do projeto abrange 20 cidades do País.

Nascido em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, Boldrin trabalhou como sapateiro e garçom de beira de estrada antes de enveredar pela carreira artística. Fez teatro, novelas, cinema e gravou discos. Desde o início da década de 80, apresenta programas de TV dedicados à cultura brasileira. Atualmente está no ar com ''Sr. Brasil'', exibido às terças e domingos pela TV Cultura.

Como será esse show?

Ele é baseado no que faço no programa de televisão. Conto histórias e falo de tipos humanos brasileiros intercalando a conversa com músicas.

O show faz parte do projeto ''Cara do Brasil'', que inclui oficinas para estudantes de escolas públicas. O senhor tem alguma participação nessas atividades didáticas?

Não. As oficinas são realizadas por arte-educadores e duram três dias em cada cidade. Meu espetáculo fecha o ciclo do projeto, que envolve mais de 20 municípios em todo o País. Londrina é a décima cidade do roteiro.

Qual é a proposta do espetáculo?

É mostrar as manifestações culturais que representam o Brasil. O espetáculo é um teatro musicado que eu faço sozinho no palco. O cenário é feito de peças de artesanato criados pela artista Patrícia Maia, que também faz o cenário do meu programa ''Sr. Brasil'', na TV Cultura.

O ''Sr. Brasil'' é uma continuidade do ''Som Brasil'', que o senhor apresentava na Rede Globo, na década de 80?

A idéia é a mesma, mas nessa nova versão o programa deu uma melhorada. Está mais bonito. E toda a criação é minha: sou eu que escrevo e apresento. A gente vai aperfeiçoando as coisas. No primeiro ano de exibição, ganhamos o troféu de melhor programa da televisão brasileira pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Depois ganhamos outros prêmios.

Como foi comemorar 50 anos de carreira artística em 2008?

Na verdade, ainda estamos comemorando. Sou tema, por exemplo, do samba-enredo ''Vamos tirar o Brasil da Gaveta'', que a escola Pérola Negra, da Vila Madalena, de São Paulo, vai mostrar no carnaval de 2010. Eles acreditam que eu represento a cultura brasileira e querem mostrar o Brasil que eu canto.

Dizem que um dos pontos negativos da globalização é promover a uniformização cultural em todo o mundo, sufocando as manifestações particulares de cada local. Como resistir a esse fenômeno?

Cantar a própria terra é primordial. Eu trabalho com a cultura da minha terra cuidando para não descaracterizá-la. Os artistas verdadeiros fazem isso.



Serviço
- Cara do Brasil, com Rolando Boldrin
Quando - Hoje, 20h30
Onde - Teatro Ouro Verde, em Londrina
Quanto - R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia para estudantes e maiores de 65 anos), na bilheteria do teatro
Mais informações - (43)3322-6381

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