Um século de vampirismo
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de maio de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
O ator Frank Langella, um dos muito Dráculas do cinema, numa produção de 79O mês de maio marca o centenário de lançamento de um dos maiores clássicos do terror - Drácula, de Bram Stoker. A história do famoso vampiro deu origem a vários filmes do gênero - de terror e de humor - reprisados até hoje. O conde Drácula teria vivido na Romênia, mais precisamente na Transilvânia, e por isso mesmo a região procura explorar o mito. A Editora Mercuryo lançou por aqui o livro Em busca de Drácula e Outros Vampiros, de Raymond McNally e Radu Florescu, um verdadeiro guia de viagem pelos lugares por onde o conde mais famoso das histórias de terror teria passado.
Na verdade, o conde que inspirou Stoker não era conde, e sim príncipe. Vladimir Zepesc nasceu cidade de Schassburg, Transilvânia, na Romênia, no ano de 1431. Era filho de Vlad Dracul, membro da Ordem do Dragão, (em romeno, dracul significa dragão) e da princesa Cneajna. Na adolescência vagou pelos calabouços dos turcos. E, talvez, neles tenha desenvolvido o espírito perverso pelo qual tornou-se conhecido e temido.
Quando seu pai morreu, ele assumiu o poder na Valáquia, província meridional da Romênia, conduzido pelos próprios turcos. Antes de assumir o trono, transparecia um temperamento dócil e generoso. Em pouco tempo deixou a máscara cair e demonstrou sua verdadeira personalidade. Foi então que ganhou o apelido de Tepes, o Empalador.
A empalação era uma técnica antiga de tortura que Vlad aprendeu com os turcos, pela qual a vítima tinha seu corpo perfurado, a partir do reto, por um poste encerado e pontiagudo. Mas, Vlad Tepes ou Dracul, como também era conhecido, aperfeiçoou o método. E suas atrocidades eram cada vez maiores e mais amedrontadoras.
Príncipe cruelConta a história que, num determinado dia, Tepes concluiu que em seu reino havia muitos pobres. No dia seguinte o assunto já estava resolvido: os pobres amanheceram empalados. Em outro epsódio, o conde, inquieto pelo mesmo motivo, mandou que alimentassem todos os pobres da cidade e, depois, ateou fogo em todos. No livro Em Busca de Drácula e Outros Vampiros, há relatos ainda mais espantosos. Um deles diz que o príncipe chegou a cozinhar crianças e depois obrigou que suas mães comessem seus próprios filhos.
A literatura diz também que Tepes teria ordenado o empalamento de 500 pessoas num mesmo dia. E, em 1462, 20 mil turcos teriam morrido da mesma forma. No total, 100 mil pessoas foram assassinadas pelo empalador. Em 1463, Maomé II conseguiu aprisionar o temido conde. Da prisão, Tepes só teria saído doze anos depois. A escuridão das masmorras deve ter tirado um pouco de sua força. Voltando aos combates foi decapitado, semanas depois, numa batalha contra os turcos.
O que foi feito com seu corpo não se sabe ao certo. Na catedral de Sangov há duas tumbas de Drácula. Entretanto, em uma delas, em 1930, só encontraram ossos de animal. Na outra, um esqueleto sem cabeça. Sua cabeça teria sido enviada de presente para um sultão da Constantinopla. Mas o destino dos restos mortais do famigerado conde não parece ter tanta importância para a Romênia, que deu mais vida à lenda do conde Drácula, e lucra com isso. A cada ano, cerca de 3000 turistas visitam o majestoso castelo de Bran, residência de Tepes, agora considerado herói nacional.


