Um sax em boas mãos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de agosto de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Foram seis anos de um exílio voluntário, mas não teve jeito. O saxofonista, gaitista e compositor Ederson Renaud rendeu-se à saudade e no show Um Som de Sax, que leva hoje, às 21 horas, e amanhã, às 20 horas, no Teatro do Paiol, escancara sua paixão musical. Está de volta, e garante que é para sempre.
O moço ocupará o palco circular do teatro com seu quinteto: Maurílio Ribeiro (violão, guitarra), Osiel Fonseca (piano), Joel Júnior (bateria), Denis Nunes (contrabaixo), David Fehrmann (violão). Participação especial da cantora Flávia Dias.
No roteiro estão preciosidades da bossa nova e do jazz, além das composições de Renaud, que têm um pé na influência erudita de sua formação. Entenda-se por influência os números elaborados, criados por quem conhece os meandros das sonoridades. Não é a água rasa que anda por aí; pelo contrário, é a Música Instrumental Brasileira, na definição entre brincalhona e séria do saxofonista.
Ele fala sobre sua produção e as necessárias adaptações para o vocalise de Flávia:
As músicas já estavam prontas, foram feitas originalmente para o sax que é um instrumento danado, ele tem uma característica que é a sua voz negra. Agora imagine uma voz suave, feminina, gostosa de um soprano sensacional, quebrando a aspereza do saxofone. Cria um dueto maravilhoso.
Esse é um detalhe, como também o da cantora intepretando com David Fehrmann Trem Azul e Idioma Esquisito, samba bem humorado de Nelson Sargento, pois o show será sustentado por todos os profissionais. Ali só tem espaço para feras. Trabalhar com harmonia de piano e guitarra juntos que são instrumentos harmônicos por excelência é complicado. Então tem que ter dois músicos experientes para não se chocarem um com o outro, ensina o compositor.
Com um repertório de músicas bem pensadas, trabalhadas e feitas para ouvidos sensíveis, Ederson Renaud garante que o show foi produzido para uma faixa do público que sente falta de espetáculos onde o instrumentista não se dá ao trabalho unicamente de apertar botões e cantora que estuda sua voz. Ele promete: A platéia vai ter artistas fazendo arte.
Depois de anos de estrada o artista não tem maiores ilusões quanto ao mercado: Música instrumental é algo complicado; poucas fazem sucesso no Brasil, e isso acontece geralmente com aquelas muito divulgadas, como as do Kenny G, aponta. Os obstáculos não são determinantes, pois Renaud prepara para lançar em 2001 seu primeiro CD.
Ederson Renaud Quinteto. Show de música instrumental brasileira, no Teatro do Paiol. Sábado, 26, às 21 horas, e domingo, 27, às 20 horas. Ingressos: R$ 5,00 e R$ 3,00 (classe artística).


