‘‘Hoje meu trabalho é um testemunho de vida artística’’. Essa declaração é o que resume o espetáculo ‘‘A Arte de Marcos Silva’’, em que o artista londrinense leva ao palco sua experiência de 27 anos em teatro, dança, canto e mímica. O trabalho, resultado de 17 anos de pesquisa na cultura oriental, será apresentado amanhã e domingo, às 20h30, no Teatro Zaqueu de Melo.
Marcos Silva declara que, aos 51 anos, enfrenta o palco como ‘‘a vida dentro da arte e a arte dentro da vida’’. ‘‘Como artista, sempre fui muito inquieto em relação à arte, por ter paixão. Hoje vejo que não era uma paixão fingida. Nunca alimentei sonhos. Acho que o trabalho pode falar por si’’, diz.
A montagem é dividida em duas partes. Na primeira, ele trabalha a expressão vocal na interpretação de músicas japonesas, norte-americanas e brasileiras. O espetáculo inicia com um canto-bravo (tipo de canto japonês que remete a um monólogo cantado ou falado), no qual usa a voz para interpretar mais de uma personagem. Depois de cinco minutos, o clima oriental é quebrado com uma interpretação de uma música do Bee Gees. Este trecho ainda inclui músicas brasileiras e até canto gregoriano. Para cada uma delas, Marcos Silva utiliza um figurino diferente. Ele encerra a primeira parte com um karaokê.
Um intervalo de 15 minutos e o intérprete volta ao palco para dançar histórias de samurais. Uma delas fala do Palácio das Garças Brancas e do Tsuru, o pássaro da felicidade. A outra é sobre um ambiente de festejo dos samurais antes da guerra. Finalmente, a história dos jovens samurais, que vão para a guerra, perdem e se suicidam. As duas peças de encerramento são danças de desafios, em que o artista usa uma lança e uma espada para contar a história de um samurai beberrão.
‘‘Esse trabalho mostra a pesquisa dos 17 anos em que venho treinando a arte oriental, que não fica excluída de outras artes. Faço questão de mostrar tudo que pesquisei como bailarino profissional, ator, intérprete... Não separo voz, texto, dança e atuação’’. Sem nunca ter ido ao Japão. Marcos Silva conta que tudo que sabe sobre a cultura oriental aprendeu com a comunidade nipo-brasileira em Londrina e com os professores Yoshihiro Kataoko (canto) e Sumiko Murakami (coreografias).
Marcos Silva lembra que desde criança cantava em rádio. Também fez aulas de canto, mas o salário que recebia mal dava para pagar a professora. Foi então que ele começou a ‘‘treinar’’ na Igreja, onde realizou seu primeiro trabalho por volta dos 17 anos. Depois, Marcos entrou o Núcleo de Teatro da UEL na década de 70, ficou 10 anos parado, voltou ao palco em ‘‘A Peste’’ (86), com o grupo Proteu, se formou em dança e realizou várias outras atividades. Este é quinto trabalho assinado por ele.
- ‘‘A Arte de Marcos Silva’’ - espetáculo do artista londrinense Marcos Silva. Amanhã e domingo, às 20h30, no Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina. Direção geral: Marcos Silva. Ingressos a R$ 5,00 (à venda no local ou pelos telefones 43-342-8310 ou 9103-0504).