Chillán - Um passeio de tirar o fôlego, literalmente, é a visita à mina Chiflón del Diablo (Sopro do Diabo), em Lota, a 200 quilômetros de Termas de Chillán. É um safári por debaixo da terra. Assim que chega ao local, o visitante revive o período em que o carvão era o ouro negro, em meados do século 19, depois substituído pelo petróleo. O local conserva telefones da época, ainda em funcionamento interno, elevadores que conduziam os mineiros para dentro da mina e carrinhos de transporte do carvão.
Antes de baixar os 40 metros de profundidade, o equivalente a um prédio de 15 andares, o turista recebe um capacete com iluminação, os mesmos usados pelos trabalhadores que mantiveram a mina em operação até 1976. Ao percorrer as galerias subterrâneas ouvindo os relatos do ex-mineiro José Reys, de 53 anos, hoje guia turístico, é possível saber como trabalhavam os mineiros, conhecer costumes, sonhos e dificuldades da dura vida de quem passava o dia na escuridão.
Reys conta histórias que emocionam, como a do acidente ocorrido em 1939, quando um garoto acendeu um fósforo dentro da mina e 23 pessoas morreram na explosão. Eles eram levados pelos pais a partir dos 8 anos, para ajudar na escavação. Os que choravam por medo da escuridão eram amarrados num canto até se acostumarem. Quando paravam de chorar, eram considerados ''homens''. Quem se negasse a levar os filhos perdia o emprego, principal fonte de renda na época, e a casa cedida pelo clã CousiÀo, família proprietária da mina e uma das mais ricas da América do Sul.
A Chiflón del Diablo é a única mina com ventilação natural aberta ao público. Passou a fazer parte do roteiro turístico da região há cinco anos. Para conhecer melhor a história da mina e da cidade, não dispense uma visita ao Museu Histórico de Lota. Guias vestidas com trajes do século 19 conduzem os interessados pelos 25 cômodos da casa, onde moravam os administradores do lugar.
Na frente do museu está o Parque de Lota, que abrigou o palácio da família CousiÀo. Com 14 hectares, tem árvores de vários países, incluindo uma Araucária do Brasil, grutas, espécies nativas de plantas, animais e várias obras de arte.
Na rota da visita à mina, aproveite para conhecer a hidrelétrica Chivilingo, inaugurada em 1897, a terceira construída no mundo. O projeto foi feito por Thomas Edison, inventor da lâmpada elétrica e do fonógrafo.
Outro roteiro interessante é visitar o centro de Chillán, a 80 quilômetros das termas. Com 300 mil habitantes, a cidade abriga importante obra dos muralistas mexicanos David Alfaro Siqueiros e Xavier Guerrero, contemporâneos de Diego Rivera e Frida Kahlo. Os murais Morte ao invasor e Do México ao Chile, pintados entre 1941 e 1942, retratam a guerra entre índios e colonizadores na época do domínio espanhol. Única obra desses artistas na América do Sul, os murais ocupam duas paredes opostas e todo o teto de uma sala na Escola México.
A feira de artesanatos, no centro, oferece artigos locais e de outras regiões do país e dos vizinhos Peru e Bolívia. Também comidas típicas, como a longaniza, linguiça de porco preparada com especiarias da região, ou a chirimoya alegre, uma espécie de fruta do conde misturada com suco de laranja.

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