Marisa Orth é daquelas mulheres que sabem dar o truque. Não é um ícone de beleza, mas quando canta ''Sou a melhor. Sou e sei que sou'' convence qualquer um que é a mulher mais sexy do mundo. Simplesmente ''The Best'' (Luni), uma das 12 faixas do CD ''Marisa Orth Romance Vol. II'' (Lua Music), é uma fatia deliciosa do show homônimo com uma trajetória de sucesso desde 2008.
Simpática, engraçada, muitas vezes irônica, Orth tem aquele ''tica, tica, bum'', um borogodó que a transforma em mulherão quando, onde e na hora que ela quiser. É assim como atriz e cantora, melodramática, que por uma paixão se rasga toda com unhas pintadas de vermelho.
E paixão todo mundo sabe o enredo. Tem lá as suas fases de lua cheia à minguante até desaparecer no meio de uma tempestade em copo-d'água: o cotidiano.
Em seu primeiro CD solo e sem estar à frente da Banda Vexame, especialista em garimpar o melhor do brega, Orth vem acompanhada de alguns compositores que conhecem o riscado para transformar a dor em uma divertida história ainda que dramática, como André Abujamra.
Ele assina com Flávio de Souza ''Insanidade Temporária'', uma música que é quase uma personagem. Na letra hilária, uma mulher mata o marido, diz que não é monstra nem sanguinária e que o crime é culpa da TPM.
Como em qualquer relação passional, o disco com direção musical de Natália Barros, companheira de Banda Luni, sucesso dos anos 80, é dividido em três capítulos.
O primeiro é a fase do ego e da conquista em que a gente se acha por cima da carne seca, acreditando ser ''the best'' só de cantar um dos clássicos de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, ''Minha Fama de Mau''.
Assim como não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe, um clima déjà vu se instaura na segunda parte do CD. É quando a paixão naufraga na ''Lama'' (Aylce Chaves e Paulo Marques) e até o último dos machos entorna uma caixa- d'água de lágrimas contando: ''Se quiser fumar, eu fumo/Se quiser beber, eu bebo/Não me interessa mais ninguém/Se o meu passado foi lama/Hoje quem me difama/Viveu na lama também''.
Se você sobreviver a essa tragédia amorosa é hora de dar o troco e cantar com Orth ''I'm Not In Love'' (Gouldman e Stewart), uma baladinha oitentista que diz, entre outras coisas, que o retrato do objeto do amor ainda está na parede, mas só para esconder uma mancha feia.
Depois é só ir para a galera e soltar o gogó com a cantora, de braços para cima em '' As Dores do Mundo'', de Hyldon. Compositor dos anos 70, ele é lembrado mais pelo hit ''Na Rua, na Chuva, na Fazenda'', que deu cárie em muita gente de tão doce e de tanto que tocou nas rádios.

mockup