Um robô quase perfeito
Fantasia de ficção-científica, com sabor de fim de férias, tem Robin Williams em papel sob medida
DivulgaçãoO Homem Bicentenário é perfeito para essa fase de volta às aulas
De Londrina
O circuito lançador dá o recado: as férias escolares estão por um fio e para muitos já são apenas amáveis lembranças de verão. O lançamento de O Homem Bicenterário (Veja programação de cinema nesta página) é bem típico desta etapa preguiçosa de volta às aulas, um produto intermediário entre a comédia e o drama ameno que se apoia no cacife ainda forte mas já nem tanto irrecusável de seu apelo principal - a presença de Robin Williams.
Se um hipotético cruzamento entre o C-3PO de Guerra nas Estrelas e o Homem de Lata de O Mágico de Oz gerasse alguma descendência, esta com certeza seria o andróide Andrew (vale o trocadilho em inglês), personagem central de Bicentennial Man. Robin Williams, é claro, faz o personagem, um robô-empregado para serviços domésticos, um factotutm trabalhando na mansão da família Martin (Sam Neill, Wendy Crewson e Hallie Eisenberg).
O pessoal da casa logo vai aprendendo que eles não têm no dia-a-dia um robô qualquer, mas alguém capaz de experimentar emoções e ter uma mente criativa. E também um ser candidato a se apaixonar por um membro da terceira geração do clã. Numa história que atravessa dois séculos, Andrew observa e apreende as vicissitudes da humanidade, da vida e do amor.
Típica produção mainstream, que custou cerca de US$ 100 milhões, o filme foi a grande aposta do Natal americano bancada pela Buena Vista/Disney/Sony. Não rendeu o que os executivos esperavam, mas deu para o gasto e deve recuperar o investimento no fim da linha circuitão mundial, homevideo, DVD e merchandising colateral. O roteiro se baseia num conto de Isaac Asimov, um dos mestres da literatura de ficção-científica, escrito em 1976 como encomenda para comemorar o bicentenário da independência dos Estados Unidos. Ao que tudo indica, a idéia do homem-máquina ou da robotização humanizada, visceral preocupação do autor do clássico Eu, Robô, está mantida em O Homem Bicentenário.
A direção foi entregue a Chris Columbus, nome já incorporado à história do cinema. A maior bilheteria obtida por uma comédia, em todos os tempos, leva a assinatura dele Esqueceram de Mim (Home Alone, 1990). O mesmo Columbus acertaria a mão de novo três anos depois com Uma Babá Quase Perfeita, em seu primeiro encontro com Robin Williams (aliás, um título bem mais digerível comercialmente e que passou batido na mesa do marqueteiros da Buena Vista-Brasil seria Um Robô Quase Perfeito.) A dupla agora está de volta, em combinação que requereu a indispensável ajuda de um time de craques na retaguarda, dos efeitos especiais à direção de arte, passando obrigatoriamente pelo desenho de produção. (C.E.L.J.)





