Um ritual para entrar no palco
De Curitiba
Silvio Kaviski diz que não tem ídolos, embora confesse que o convite para trabalhar com Vera Fischer fez tremer suas bases emocionais. Estar ao lado de grandes artistas é a consequência de um trabalho feito com a maior dignidade possível. Tudo que consegui no teatro foi assim, afirma.
Vindo de uma família de comerciantes, ele tinha consciência do seu gosto pelo teatro, mas desconhecia os caminhos que levavam à arte. Estava no terceiro ano de Biologia, na PUC, quando entrou para o grupo da escola, o Tanahora. Atuou numa porção de montagens enquanto concluía o curso. Num dia recebeu o diploma da faculdade, no outro já estava fazendo Artes Cênicas.
É um amor profundo, que nada tem daquelas ilusões que acometem a maioria dos jovens, interessados na fama. Adoro o que faço. Duas horas antes do espetáculo chego ao teatro e fico ali, sozinho no palco. É um ritual que o acompanha desde o início, como um culto. Repassa todo o texto e a marcação; toma banho antes de entrar em cena, e após. É como se fosse necessário fazer-se bonito para o seu personagem.
Sou ator que trabalha com o intuitivo. Sou quase essencialmente intuitivo, considera. Para viver Brick, deixou crescer a barba e o cabelo, aparentando assim mais idade. Estava à procura de um perfume para compor o personagem quando Vera lhe deu um Issey Myaki de presente. Era exatamente o que ele precisava.
Em sete anos de carreira, atuou ao lado de gente importante do teatro brasileiro. Mesmo assim a lista com quem deseja trabalhar continua extensa. Alguns dos nomes: Elias Andreato, Valderez de Barros, Fernanda Montenegro, Luiz Mello, Paulo Autran, Lala Schneider, Miguel Falabella.
Silvio se diz apaixonado por Silvanah Santos. Aliás, uma paixão que começou ainda nos tempos de faculdade, quando viu pela primeira vez a então estudante em A Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues. Saí fascinado do teatro. A mesma reverência estende-se a Ivan Cabral e Rodolfo Garcia Vasquez, os três do grupo Satyros. Eles têm uma dignidade com o teatro, que é a mesma com que me identifico, explica.





