Um rito de passagem
Um rito de
passagem
Dois Córregos, como define Reichenbach, é um grande flashback. Começa em 97 quando Ana Paula (Beth Goulart) vai ao interior de São Paulo recuperar a casa de campo que herdou dos pais e que está ocupada por grileiros. E lá que ela começa a se lembrar da última vez em que esteve no local. Suas reminescências a levam de volta ao ano de 1969. Certo dia, a adolescente Ana Paula (vivida por Vanessa Goulart) leva a colega de escola Lydia (Luciana Brasil), uma exímia pianista, para conhecer seu reduto no Encontro dos Rios.
Passam juntas quatro dias em companhia de Tereza (Ingra Liberato), espécie de pajem e irmã de criação de Ana. Na casa, Ana se encontra pela primeira vez com Hermes (Carlos Alberto Riccelli), o tio que sempre viveu no Rio Grande do Sul e que vive escondido. É que ele, um ativista político que viveu exilado por dois anos num país qualquer da América do Sul, está tentando oficializar sua volta ao Brasil e se reencontrar com a esposa e os filhos. A beleza e o talento musical de Lydia chamam a atenção de Hermes.
Porém, a convivência das duas adolescentes com esse taciturno homem, a descoberta do que realmente acontece no país, o despertar da sensualidade vão compor uma espécie de rito de passagem das duas adolescente. Paralelo a isso, um incidente envolvendo o tenente Percival (Kaio Pezzutti), namorado de Tereza, ocasiona o súbito desaparecimento de Hermes. E é esse mistério, que envolve o destino de sua primeira paixão platônica por um homem que amou em segredo durante anos, que Ana Paula vai desvendar vinte e oito anos depois, além de resolver suas diferenças com o passado.
(A.M.J.)





