Um retrato iluminado de Wilde
Um retrato iluminado de Wilde
ReproduçãoStephen Fry tem a afetação e a mordacidade que sempre foram atribuídas a Oscar WildeQuase um século depois de sua morte (1854-1900), Oscar Wilde continua dando o que falar. O filme Wilde, de Brian Gilbert, que acaba de chegar às locadoras, reconstitui com fidelidade e brilhantismo a vida do escritor inglês que escandalizou a Inglaterra vitoriana com sua obra e seu comportamento. Ao cultivar a imagem de um dândi, ele passava a vida cortejando rapazinhos, desfilando roupas extravagantes e lançando ditos espirituosos. Coloquei toda a minha genialidade na minha vida; na minha obra, apenas o talento, dizia Oscar Wilde.
O diretor Brian Gilbert, um cineasta cuja obra é bastante eclética - ele fez entre outras coisas Nunca sem Minha Filha e Tom e Viv - retrata em seu filme a tragédia de um homem vítima de uma época, o decadentismo em voga na virada do século 19 para o 20. É um bom, não um grande filme. Grande mesmo é Stephen Fry, que interpreta o autor. Stephen Fry é a alma de Wilde. Ele não merecia apenas uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator, mas um Oscar. No entanto, sequer foi lembrado pela Academia. Além de ser fisicamente parecido com autor de O Retrato de Dorian Gray, Fry tem a afetação e mordacidade que sempre foram atribuídas ao escritor.
Apesar de ser um filme tradicional do ponto de vista dramatúrgico, Wilde é uma obra cativante, principalmente, por retratar a vida de um homem fascinante e parodoxal, que aliava uma sólida cultura clássica a uma enorme energia para o trabalho. O principal foco do filme é o tumultuado relacionamento de Wilde com jovem Lord Alfred Douglas (Jude Law), por quem ele se apaixonou perdidamente, apesar de ser casado e pai de dois filhos. Por causa desse amor, o escritor é levado ao tribunal pelo pai do rapaz, que o acusa de sodomia. O resto é história. Wilde é condenado a dois anos de prisão, perdendo a mulher, os filhos, a fama e o grande amor de sua vida.
Para ser ter uma idéia da popularidade que o escritor tinha antes de ser condenado, só em 1882, ele deu nada menos que 140 conferências numa turnê de 260 dias pelos Estados Unidos e Canadá, numa época em que não existia avião. Foi ao chegar em Nova York que Wilde proferiu uma de suas tiradas mais célebres. O funcionário da alfândega lhe perguntou: Algo a declarar? Ele respondeu: Só a minha genialidade. Lançamento da Estação Vídeo. Duração: 116 minutos.





