José Bento Monteiro Lobato, ou simplesmente Monteiro Lobato, nasceu no dia 18 de abril de 1882, em Taubaté. De maneira simples, assim pode ser apresentado o escritor. Mas sua importância literária rende muitas e muitas linhas. Ora, ora. Até sua entrada no mundo editorial, a literatura infantil no Brasil provinha das publicações européias ou, um passo mais adiante, obras voltadas para o consumo escolar, as quais sempre reproduziam a ideologia republicana-burguesa.
Eis que surge em cena, Monteiro Lobato. Para resolver a carência de editoras fundou a ‘‘Monteiro Lobato & Cia’’. Não teve vida longa. Em 43, juntamente com Caio Prado Junior, fundou a Editora Brasiliense que até hoje detém os direitos de suas obras. O grande mérito de Monteiro Lobato na literatura infantil foi acrescentar-lhe, além do didatismo, um caráter lúdico.
Entretanto, Lobato também foi um literato do mundo adulto - produziu obras como Urupês (1918), Cidades Mortas (1919), entre outros. Escrevia mas não com tanto vigor quanto seus livros infantis. Ele mesmo chegou a declarar, certa vez: ‘‘De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para as crianças, um livro é todo um mundo. Lembro-me de Robison Crusoé. Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar’’.
O primeiro livro infantil, ‘‘Narizinho Arrebitado’’, foi escrito em 1921. Nesse livro, vejam só, Emília, a boneca de pano, era uma mera coadjuvante. Porém, falante que era e com uma personalidade forte, passou a ser o centro das atenções. Uma espécie de alter ego do escritor.
Através do seu ‘‘Sítio do Pica-pau’’. Lobato criou uma metáfora do Brasil, onde Dona Benta, a sábia professora, convive com a realidade e também com um mundo mágico, indispensável ao universo infantil. Lá na grande escola, pessoas convivem com boneca de pano e sábio sabugo de milho falantes, sacis, pó de pirlimpimpim, o mundo do faz-de-conta.
Mas como se esquecer de um outro personagem que era a cara do Brasil matuto (pelo menos daquela época) - o preguiçoso e carismático Jeca Tatu. Enfim, o mundo de Lobato era simplesmente o Brasil escrito com todas as letras. (A.M.J.)

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