Um retorno através da história
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de junho de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
''O que poderia mudar o olhar de um homem 100 anos depois de sua história?'' Responder esta pergunta é o desafio do fotojornalista Jonny Ueda e da jornalista e escritora Tina Andrade no documentário fotográfico Kari Me, ou ''olho emprestado'', que abre neste sábado no Espaço Cultural do Sesc, em Londrina, e no período de 18 a 22 de junho marcará sua passagem na Expo Imim 100 Londrina, no Parque de Exposições Governador Ney Braga .
A dupla resolveu percorrer o mesmo caminho feito por Tamamura Kozaburo, um fotógrafo popular da era Meiji (1868-1912), que captou cenas do dia-a-dia do arquipélago, na época do início da modernização do Japão e da imigração dos primeiros japoneses para o Brasil. Com isso, Ueda e Andrade querem mostrar como os personagens das fotos mudaram em 100 anos. Entre as cidades retratadas estão Osaka, Tóquio, Kyoto e Kobe. As imagens e informações foram captadas durante cinco meses, de janeiro a maio de 2007.
O trabalho final reúne fotos antigas, coloridas manualmente por Kozaburo, e as atuais, feitas por Ueda, que utiliza equipamentos modernos. Segundo Andrade, cerca de 40 fotos estarão expostas em Londrina, em tamanhos que vão de 30 x 40cm a 2,5 metros. ''O grande objetivo deste trabalho foi retribuir em cores tudo o que Kozaburo nos deu em preto e branco. Conseguimos retratar a beleza das coisas simples sem utilizar todos os recursos tecnológicos disponíveis atualmente para o tratamento da imagem'', conta.
Tamamura era um mestre na colorização do preto e branco em uma época que, por razões econômicas, a fotografia colorida era uma arte difícil de ser sustentada. Por esta razão criou o conceito /''Yokohama Shashin/'' de foto-brinde (tipicamente para turistas) e publicou livros fotográficos de sua passagem por Osaka, Kyoto, Nara, Kobe, Shizuoka, Tokyo, entre outras locações.
A exposição reúne fotografia, jornalismo e arte. De acordo com a documentarista, as fotos são acompanhadas de pequenos textos resgatando informações sobre as cidades, literatura, religião, filosofia. A pesquisa da obra do fotógrafo foi realizada na internet, em bancos de conhecimento de especialistas em arte antiga.
Para a jornalista, a mostra é uma forma de presentear os descendentes de japoneses que vivem no Brasil e mantêm as raízes orientais. ''Por onde passamos recebemos um natsukashii (algo como ''saudades gostosa de sentir'') dos descendentes. As fotos os fazem lembrar de histórias antigas contadas pelos ancestrais'', afirma Andrade.
Iniciada há um ano, a exposição tem caráter itinerante (já passou por Santos, São Paulo, Lorena e Canas), e, por onde ela passa, Ueda e Andrade doam uma cópia da obra ''Maruyama Tree - the splendor of the (n)light'', que representou o Estado de São Paulo em um circuito internacional de arte brasileira pela Áustria, China e Tailândia, para ser leiloada. O valor arrecadado é doado à associação japonesa local como contribuição às comemorações do centenário. O casal também possui um projeto de apoio aos dekasseguis que possuem potencial artístico para que eles tenham oportunidade de desenvolver este trabalho no retorno ao Brasil.
SERVIÇO
- Kari Me
Onde - SESC (Rua Fernando de Noronha, 264) de 7 a 16 e de 23 a 30 de junho e Parque de Exposições Governador Ney Braga, de 18 a 22 de junho.


