Se há rosas plantadas em um jardim, a gente sempre imagina que a casa é de uma simpática senhora - e geralmente acerta. Inspirada nessa constatação, a artista plástica Raquel Carraro criou o projeto ''Rosas'', uma oficina voltada à terceira idade para promover o resgate da história individual e instigar a criatividade através da pintura.
O resultado pode ser conferido na exposição ''Retratos de Memória'', que começa hoje no Sesc da Fernando de Noronha, em Londrina. Quinze retratos em esmalte e colagens sobre MDF compõem a mostra, que termina no dia 23.
Durante a oficina, as senhoras basearam-se em fotografias antigas e na própria memória para retratar a si mesmas ou pessoas de sua estima.
Raquel precisou desfazer a resistência gerada pela falta de experiência e conhecimento técnico das participantes e também redefinir os parâmetros que cada uma tinha sobre a beleza. ''Aprendi a respeitar os limites de cada uma'', revela a professora.
Áurea Moretto não se mostrou muito satisfeita com o resultado de sua pintura, mas isso serviu como um incentivo. ''O próximo que eu fizer vai ser bem melhor'', garante.
Nirce Carloto quis homenagear o pai mas acabou deixando-o com o rosto mais alongado. Mas dá para reconhecê-lo, principalmente pelas referências ao café, à mercearia e à televisão, presentes na moldura. '' Sempre o admirei, porque ele foi um grande batalhador. Foi emocionante fazer esse resgate'', comenta.
Já Neyde Guidugli gostou do seu auto-retrato, mas reconhece que não ficou muito fiel à foto que tomou como base. ''Eu quis me desenhar aos 14 anos, mas acabou ficando com traços de hoje também'', opina, rememorando o vestido godê que adorava, na época em que andava ''sem batom, com a sobrancelha desarrumada, o cabelo apenas escovado''. Pensando no próximo quadro, Neyde nem parece a mesma que pensou em desistir do curso. ''No começo foi muito difícil. Mas aprendi que posso fazer coisas que nunca pensei que conseguiria''.

mockup